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12 de fevereiro de 2026 - 13h39
LUTO

Ator Bud Cort de 'Harold and Maude' morre aos 77 anos

Intérprete de Harold em clássico de 1971 morreu em Connecticut por complicações de pneumonia após longa doença

12 fevereiro 2026 - 11h50Redação O Estado de S. Paulo
Ator Bud Cort de 'Harold and Maude' morre aos 77 anos
Ator Bud Cort de 'Harold and Maude' morre aos 77 anos - (Foto: Divulgação)

Bud Cort, ator eternizado como Harold no cult “Harold and Maude” (lançado no Brasil como Ensina-me a viver), morreu aos 77 anos. A morte ocorreu na quarta-feira, 11, em Connecticut, nos Estados Unidos, em decorrência de complicações de pneumonia após um longo período de doença. A informação foi confirmada pela produtora e amiga Dorian Hannaway.

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Segundo ela, Cort foi um artista apaixonado pelo ofício desde muito jovem. “Bud Cort era um talento raro na atuação e no teatro, e tinha uma paixão por isso desde jovem, pois amava a arte”, declarou. Hannaway lembrou que, ainda na década de 1960, ele costumava faltar à escola para assistir matinês de teatro, incluindo apresentações do musical “Funny Girl”, estrelado por Barbra Streisand.

De acordo com a produtora, o ator chegava a ver diversas sessões e ficava na porta do teatro ao lado de Roslyn Kind, irmã de Streisand, demonstrando o quanto já vivia em função das artes cênicas antes mesmo de ganhar espaço no cinema.

Nascido Walter Edward Cox em 29 de março de 1948, em New Rochelle, no estado de Nova York, Bud Cort estudou por um breve período na Tisch School of the Arts, da Universidade de Nova York (NYU). Ele também teve formação em atuação com a lendária preparadora Stella Adler, um dos nomes mais respeitados do teatro norte-americano, antes de iniciar de fato a trajetória profissional.

O primeiro grande destaque no cinema veio ao ser escalado pelo diretor Robert Altman para um papel coadjuvante em “M.A.S.H” (1970). O trabalho rendeu confiança do cineasta, que em seguida o convidou para protagonizar “Voar é com os pássaros” (1970). Esses filmes abriram caminho para o papel que marcaria sua carreira: Harold, o jovem obcecado pela morte que vive um improvável romance com uma mulher mais velha em “Harold and Maude” (1971).

O reconhecimento definitivo veio justamente com “Ensina-me a viver”, em que contracenou com Ruth Gordon, intérprete de Maude. Ao longo dos anos, o longa se consolidou como um clássico de culto, amado por gerações de cinéfilos por tratar com humor e sensibilidade temas como solidão, juventude, velhice e liberdade.

Em entrevista concedida em 2012 ao site Trainwreck'd Society, Bud Cort disse que, já na primeira leitura do roteiro, percebeu a força da história. “Enquanto eu lia o roteiro, eu soube imediatamente que seria um clássico para sempre”, afirmou. Ele também contou que o estúdio teve dificuldades para divulgar o filme na época do lançamento e que o sucesso acabou surgindo de forma gradual, impulsionado pelo boca a boca do público.

Depois de “Ensina-me a viver”, Cort seguiu construindo uma carreira com papéis marcantes em cinema, TV e dublagem. No cinema, participou de produções como “Amores eletrônicos” (1984), “Dogma” (1999), “Pollock” (2000) e “A vida marinha com Steve Zissou” (2004), em que voltou a chamar a atenção de novas audiências ao trabalhar em projetos de diretores de forte assinatura.

Na televisão, o ator teve aparições em séries variadas, entre elas “Betty a feia”, “Criminal Minds” e “Caindo na real”, mostrando versatilidade em formatos que vão do drama ao humor.

Bud Cort também se destacou como dublador. Um de seus trabalhos mais conhecidos nessa área foi a voz do vilão Toyman em “Superman: a série animada” e em outras produções do universo animado da DC, aproximando sua atuação de uma geração que cresceu acompanhando desenhos de super-heróis.

Com a morte de Cort, o cinema perde um rosto associado a um dos filmes mais queridos e singulares dos anos 1970. Sua interpretação como Harold segue como referência de sensibilidade e estranheza, e sua trajetória, marcada por escolhas peculiares e personagens excêntricos, mantém viva a imagem de um artista que encontrou na arte o espaço ideal para a intensidade que carregava desde a juventude.

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