
A vitória de O agente secreto no Globo de Ouro 2026, neste domingo (11), não ficou restrita ao palco da premiação. O filme de Kleber Mendonça Filho e o protagonista Wagner Moura dominaram a cobertura dos principais veículos de cultura e entretenimento dos Estados Unidos, que falaram em “noite brasileira” e já projetam impacto direto na corrida pelo Oscar.
O longa venceu duas categorias importantes: Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. É a primeira vez que um ator brasileiro leva esse prêmio na história do Globo de Ouro, marca lembrada e celebrada pela imprensa internacional, que vê o momento como um ponto de virada para o cinema nacional na temporada de premiações.
Além do reconhecimento, críticos e colunistas destacam que o desempenho de O agente secreto pode seguir a mesma trajetória de Ainda estou aqui, do ano passado, e ganhar força exatamente na reta decisiva da campanha, ameaçando o favoritismo de Valor sentimental e Foi apenas um acidente na disputa por Melhor Filme Internacional no Oscar.
Globo de Ouro impulsiona campanha ao Oscar
O texto lembra que o período de votação para definir os indicados ao Oscar começou nesta segunda-feira (12) e segue até 16 de janeiro. Nesse intervalo, qualquer grande vitória pesa, e os especialistas apontam que os prêmios conquistados por O agente secreto devem aumentar a visibilidade do filme brasileiro entre os votantes da Academia.
A expectativa é de que o Globo de Ouro funcione como vitrine: ao mesmo tempo em que consagra Wagner Moura como protagonista, coloca o longa sob os holofotes no momento em que muitos votantes ainda estão decidindo o que assistir para preencher suas cédulas. O anúncio oficial dos indicados ao Oscar está marcado para 22 de janeiro, e a “onda brasileira” é vista como um fator a ser observado.
The New York Times fala em “grande noite para o Brasil”
Entre os veículos que repercutiram a premiação, The New York Times definiu o Globo de Ouro de 2026 como “uma grande noite para o Brasil”. A jornalista Stephanie Goodman lembra que Wagner Moura já era bastante conhecido do público brasileiro, por novelas e por Tropa de elite, além de sua posição crítica em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para os leitores americanos, o texto observa que Moura é mais familiar como o Pablo Escobar da série Narcos, mas que muitos talvez não soubessem sequer pronunciar corretamente o nome do ator. Segundo a análise, isso mudou na noite de domingo, quando ele foi consagrado como Melhor Ator em Filme de Drama, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar o prêmio.
O jornal destaca que ainda é cedo para saber se essa vitória se traduzirá em indicação ao Oscar, mas sublinha que o Brasil já comemora – a ponto de o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter parabenizado o ator nas redes sociais. O New York Times coloca o momento de Moura entre os pontos altos da cerimônia.
Vanity Fair: Shakespeare, Brasil e virada de jogo
Na Vanity Fair, a repórter Eve Batey brinca que foi “uma excelente noite para quem é fã de Shakespeare – ou do Brasil”. A revista lembra que Hamnet, inspirado na história de amor entre Agnes e William Shakespeare, levou o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama, superando O agente secreto nessa categoria.
Ao mesmo tempo, destaca que o longa brasileiro não saiu derrotado: faturou Melhor Filme de Língua Não Inglesa e ainda garantiu o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama com Wagner Moura. A publicação ressalta que, mesmo quando não vence a categoria principal de drama, O agente secreto mostra força e consistência na temporada ao sair da premiação com dois troféus relevantes.
Outro ponto lembrado pela Vanity Fair é a reação à vitória de Moura dentro e fora da cerimônia. O jornalista Chris Murphy celebrou com “uma salva de aplausos em pé para Wagner Moura” e provocou ao dizer que o primeiro Oscar de Timothée Chalamet “pode não ser tão certo quanto se pensa”. O recado é claro: a performance do brasileiro, para parte da imprensa, entra na disputa direta com os grandes nomes de Hollywood.
Variety: “Wagner Moura faz história”
Na Variety, uma das principais publicações de indústria do cinema, o destaque é direto: “Wagner Moura faz história no Globo de Ouro ao se tornar o primeiro ator brasileiro a vencer Melhor Ator em Filme de Drama”. A vitória do brasileiro é tratada como surpresa positiva e listada entre os melhores momentos da noite.
O texto de William Earl frisa que O agente secreto vem “ganhando força” na temporada de premiações e lembra que Moura superou adversários de peso, como Oscar Isaac, Dwayne Johnson e Michael B. Jordan, para ficar com o troféu. A revista também vê com bons olhos a internacionalização do corpo de votantes do Globo de Ouro, apontando que essa mudança abre espaço para resultados mais diversos – como a consagração de um protagonista brasileiro em uma das categorias mais prestigiadas da premiação.
Indie Wire fala em “efeito brasileiro”
Na Indie Wire, o impacto da noite é descrito como “efeito brasileiro”. A manchete do site ressalta as vitórias de Wagner Moura e de O agente secreto, e o texto lembra que o bloco de votantes brasileiros do Globo de Ouro já havia sido decisivo no ano anterior, na conquista de Fernanda Torres.
A jornalista Anne Thompson observa que Moura e o diretor Kleber Mendonça Filho estão há meses em Los Angeles, participando de sessões de perguntas e respostas e eventos da temporada de premiações. Essa presença constante, segundo ela, ajuda a manter o filme em evidência e pode ser determinante para transformar o impulso do Globo de Ouro em indicação ao Oscar.
A análise da Indie Wire aponta que as vagas mais “prováveis” em Melhor Ator seriam de Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet. Já nomes como Michael B. Jordan, Ethan Hawke, o australiano Joel Edgerton e o próprio Wagner Moura disputariam os espaços restantes. Com o Globo de Ouro nas mãos, o brasileiro ganha fôlego numa corrida que costuma ser marcada por detalhes, timing e imagem junto aos votantes.
The Hollywood Reporter questiona favoritismo no Oscar
O The Hollywood Reporter também reservou lugar de destaque para a vitória de Wagner Moura, tratando o prêmio como um dos seis mais importantes da noite. A publicação chama atenção para o peso do corpo de votantes internacionais do Globo de Ouro e sugere que o resultado abala o favoritismo de Valor sentimental e Foi apenas um acidente na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar.
O colunista Scott Feinberg afirma que, há algum tempo, enxerga Moura como “ameaça silenciosa” aos favoritos Timothée Chalamet e Leonardo DiCaprio na disputa por Melhor Ator. Os dois concorreram entre si na outra categoria de atuação do Globo de Ouro, dedicada a filmes de musical ou comédia, vencida por Chalamet.
Na avaliação do jornalista, Wagner Moura entendeu a importância do momento ao usar o discurso de agradecimento para falar do tema de O agente secreto – a ditadura militar brasileira – e reforçar por que o filme importa. A maneira como o ator apresentou o longa ao público da cerimônia teria ajudado a consolidar não apenas sua imagem, mas também a mensagem central da obra perante a indústria.

