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30 de janeiro de 2026 - 15h06
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GASTO PÚBLICO

Simone Tebet defende corte de desperdícios e diz que Brasil precisa caber no Orçamento

Ministra afirma que país gasta mal, critica despesas globais com armamentos e diz que decisões passam pelo crivo do Congresso

30 janeiro 2026 - 13h30Mateus Maia
Simone Tebet defendeu mudanças na forma como o Brasil planeja e executa o Orçamento.
Simone Tebet defendeu mudanças na forma como o Brasil planeja e executa o Orçamento. - Lula Marques/Agência Brasil

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta sexta-feira (30) que o Orçamento, seja público ou privado, sempre será limitado e exige escolhas difíceis. Para ela, o principal desafio do Brasil não está apenas em gastar menos, mas em gastar melhor, interrompendo desperdícios para que as contas públicas atendam às reais necessidades da população.

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“O orçamento vai ser sempre restritivo, seja o nosso orçamento privado, nunca vai ser suficiente para as nossas demandas, para os nossos anseios”, declarou a ministra durante discurso no Insper, em São Paulo, no lançamento do Observatório da Qualidade do Gasto Público.

Segundo Tebet, administrar recursos escassos exige decisões responsáveis e alinhadas ao interesse coletivo. Ela destacou que a política precisa assumir o papel de escolher prioridades de forma justa. “Se o orçamento é sempre restritivo, administrar é uma arte que fica cada vez mais difícil. A política é a capacidade de fazer escolhas possíveis e que efetivamente atendam o interesse da sociedade brasileira”, afirmou.

Ao tratar da qualidade do gasto público no país, a ministra foi direta ao dizer que o Brasil utiliza muitos recursos sem alcançar os resultados esperados. “Pior que gastar muito é que nós estamos gastando mal”, disse. Para Tebet, melhorar a eficiência das despesas é fundamental para abrir espaço no Orçamento sem comprometer áreas essenciais.

Durante o discurso, a ministra também fez uma crítica ao volume de recursos destinados a armamentos no mundo. Segundo ela, uma pequena parcela desse montante já seria suficiente para combater problemas básicos. Tebet afirmou que apenas 4% do valor gasto globalmente com armas poderia acabar com a fome, reforçando a necessidade de repensar prioridades.

Ao comentar o processo interno do governo, Tebet explicou que propostas de revisão de gastos dependem diretamente do cenário político no Congresso Nacional. De acordo com ela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a viabilidade de cada medida com base nas chances de aprovação pelos parlamentares, que tendem a evitar projetos considerados impopulares por causa do calendário eleitoral.

“Nós falamos: ‘presidente, precisamos cortar gastos, não é nem para fazer de novo, não é para pagar dívida, precisamos realocar esses recursos para necessidades mais básicas e prementes da sociedade’”, relatou a ministra. Segundo ela, a decisão final passa por uma pergunta recorrente feita por Lula: se a proposta tem ou não condições de avançar no Congresso.

Um dos exemplos citados foi o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Tebet explicou que a equipe econômica apresentou medidas de ajuste em programas considerados essenciais, mas que apresentavam crescimento acima da média. “A gente apresentava a lista de medidas para serem alteradas, muitas vezes técnicas, administrativas, de programas essenciais como o BPC, mas que estava crescendo muito acima da média”, disse. Quando havia sinalização de apoio no Legislativo, o presidente autorizava o envio do projeto.

A ministra também falou sobre o motivo de ter aceitado o convite para integrar o governo. Segundo Tebet, a falta de planejamento de longo prazo sempre foi um problema estrutural do país. Ela afirmou que o Brasil nunca conseguiu transformar esse tipo de estratégia em política de Estado.

Nesse contexto, Tebet anunciou que o governo pretende lançar ainda neste ano o primeiro planejamento de longo prazo com horizonte de 25 anos. O documento, batizado de Estratégia Brasil 2050, já está concluído e recebeu autorização do presidente para ser elaborado. “O Brasil nunca teve um planejamento de longo prazo. Provavelmente este ano será o primeiro”, afirmou.

Para a ministra, a iniciativa representa um passo importante para mudar a forma como o país lida com o Orçamento, permitindo decisões mais responsáveis e alinhadas com o futuro.

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