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25 de janeiro de 2026 - 10h13
ECONOMIA

Supermercados vendem menos alimentos mesmo com alívio da inflação

Dezembro foi o pior mês de 2025 para o varejo alimentar, aponta levantamento

25 janeiro 2026 - 08h50O Estado de S. Paulo.
Queda nas vendas levou supermercados a intensificar promoções no início do ano.
Queda nas vendas levou supermercados a intensificar promoções no início do ano. - Foto: Sérgio Lima/Poder360

Mesmo com a desaceleração da inflação dos alimentos ao longo de 2025, o varejo alimentar encerrou o ano com desempenho abaixo do esperado. Dezembro, tradicionalmente impulsionado pelas festas de fim de ano e pelo pagamento do 13.º salário, foi o pior mês do ano para as vendas de supermercados.

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Levantamento da Scanntech mostra que as vendas de alimentos em unidades caíram 5,5% em dezembro de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024. O estudo considera todos os canais do varejo alimentar, como mercadinhos, supermercados, hipermercados e atacarejos, com base em dados reais de compra no caixa.

O faturamento também recuou, embora em menor intensidade. A queda foi de 2,5% no mesmo período, influenciada pelo aumento médio de 3,2% no preço por unidade. Ainda assim, dezembro foi o único mês de 2025 a registrar retração na receita do setor em relação ao ano anterior.

O resultado quebra uma sequência de três anos consecutivos de crescimento nas vendas de dezembro. Segundo a Scanntech, que monitora cerca de 13,5 bilhões de tíquetes por ano, o desempenho indica uma mudança no comportamento do consumidor ao longo do último ano.

Para Felipe Passarelli, head de inteligência de mercado da Scanntech, o dado aponta um movimento estrutural. “A queda das vendas em dezembro reforça um padrão observado ao longo de 2025”, afirma.

Entre os fatores que ajudam a explicar o comportamento do consumidor estão o aumento do endividamento, os juros elevados e a piora na confiança das famílias. O crescimento das apostas online, que movimentam mais de R$ 30 bilhões por mês segundo o Banco Central, também é citado como elemento de pressão sobre o orçamento.

Além disso, o consumo de serviços passou a ocupar uma fatia maior das despesas das famílias. Dados ajustados a partir do IPCA mostram que os serviços livres representam hoje quase metade dos gastos familiares, enquanto a participação dos bens, incluindo alimentos, perdeu espaço nos últimos anos. Com menos margem no orçamento, o consumidor reduziu volumes de compra, priorizou itens essenciais e intensificou a busca por promoções.

O fraco desempenho de dezembro e da primeira quinzena de janeiro levou redes de supermercados a acelerar campanhas de desconto para reduzir estoques acumulados. A reportagem constatou grande volume de produtos em oferta em diversas lojas.

A rede Hirota, com 17 unidades na região metropolitana de São Paulo, informou que colocou mais de 150 itens em promoção, com descontos de até 50%. Segundo o diretor da empresa, Hélio Freddi, janeiro tem sido especialmente difícil. “Estamos cerca de 4% abaixo da meta”, afirmou.

Despesas típicas do início do ano, como matrícula escolar, material escolar e impostos como IPTU e IPVA, também pesam sobre o consumo, aumentando a cautela das famílias.

Segundo representantes do setor, a dificuldade enfrentada no fim de 2025 e início deste ano é generalizada no varejo alimentar, que precisa acelerar vendas para cumprir compromissos financeiros.

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