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09 de janeiro de 2026 - 22h11
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BIOECONOMIA

Sebrae conecta negócios da bioeconomia de MS a marketplaces globais

Com selo Made in Pantanal, mais de 200 pequenos negócios ligados ao Pantanal e Cerrado miram Amazon, COP30 e novos mercados até 2026

9 janeiro 2026 - 07h45Iury de Oliveira
A bióloga Bruna Oliveira criou a Cerrado em Pé em 2022 ao lado do esposo, também biólogo, Rodrigo Borghezan, após notar as barreiras de pequenos produtores na comercialização de hortaliças e frutas em MS.
A bióloga Bruna Oliveira criou a Cerrado em Pé em 2022 ao lado do esposo, também biólogo, Rodrigo Borghezan, após notar as barreiras de pequenos produtores na comercialização de hortaliças e frutas em MS. - (Foto: SEBRAE)

Mais de 200 pequenos negócios de Mato Grosso do Sul ligados à bioeconomia, com atuação direta nos biomas Pantanal e Cerrado, estão reestruturando sua forma de vender e se posicionar no mercado. Com apoio do Sebrae/MS e do selo Made in Pantanal, esses empreendimentos começam a ocupar espaço em marketplaces como a Amazon e em eventos internacionais, como o espaço Brasil Biomarket, na COP30, em Belém, de olho em parcerias e expansão até 2026.

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O trabalho coordenado pelo Sebrae/MS tem como foco abrir fronteiras para empreendedores que desejam romper as barreiras geográficas e atender clientes fora do Estado. A estratégia combina curadoria, capacitação e construção de marca associada à bioeconomia e à sustentabilidade, o que reforça o valor dos produtos e serviços oferecidos.

O analista-técnico do Sebrae/MS, Vinícius Pacheco, explica que o movimento vai além do aumento de vendas. “Não se trata apenas de vendas diretas, mas da construção de uma imagem de marca associada à bioeconomia e à sustentabilidade. Nossa previsão é de forte expansão para os próximos anos. Para 2026, a meta é expandir significativamente o número de empresas do selo Made in Pantanal. Estamos trabalhando ativamente na capacitação de novos grupos de empresários e na curadoria de produtos com potencial para o marketplace”, afirma.

Selo que abre fronteiras para produtos de MS - Ao aderirem ao Made in Pantanal, os negócios recebem um certificado de origem e de compromisso com práticas sustentáveis. Isso reforça o vínculo dos produtos com a história e a cultura de Mato Grosso do Sul, além do compromisso com a conservação do planeta.

A partir dessa construção de marca, os empreendedores ganham acesso a nichos de mercado que buscam itens autênticos e sustentáveis, com maior valor agregado. A estratégia do selo vem sendo aplicada desde 2022 e ganhou escala nos últimos três anos, com produtos sul-mato-grossenses chegando a espaços de grande visibilidade, como o Brasil Biomarket na COP30, em Belém.

A boa receptividade e o interesse de potenciais parceiros comerciais demonstraram que os produtos alinhados ao Made in Pantanal acompanham tendências globais de consumo consciente. A presença em uma loja dentro da Amazon representa um novo patamar de atuação, ampliando o alcance e a representatividade dos pequenos negócios do Estado.

Cerrado em Pé transforma ciência em oportunidade de mercado - Entre os negócios que começaram a ganhar projeção está a Cerrado em Pé, criada pelo casal de biólogos Rodrigo Borghezan e Bruna Oliveira. A ideia surgiu da dificuldade enfrentada por pequenos produtores para comercializar hortaliças, frutas e outras mercadorias.

Rodrigo conta que a virada começou ainda em 2018, quando trabalhava com agroecologia em escolas, enquanto Bruna atuava com o ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) em projetos para reduzir conflitos entre o tatu-canastra e apicultores. Nessa fase, ele percebeu o potencial dos produtos locais.

“Comecei a trabalhar com agroecologia em 2018 e minha esposa estava trabalhando com o ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) para reduzir conflito entre o tatu-canastra e apicultores. Em uma viagem com ela, percebi o tanto de pessoas que pediam o mel (dos apicultores do projeto). Passamos a comprar a mais do que pediam e consegui comercializar. Depois acrescentamos a castanha de baru, farinhas, guavira. Em 2022 que mudamos o modelo de negócio ao ter aprovado projeto no Startup Challenge, em uma parceria da Fiems e Fundect”, recorda Borghezan.

Com a aprovação no Startup Challenge, em 2022, a empresa ganhou fôlego. Rodrigo instalou uma agroindústria na agência de inovação da UCDB e ajustou o modelo de atuação, passando do atendimento direto ao consumidor (B2C) para um foco maior no mercado empresarial (B2B).

“Entrei no Made in Pantanal para me ajudar a ter mais visibilidade, é um selo que o consumidor olha e valoriza”, afirma. Hoje, a Cerrado em Pé oferece coffee break para eventos e comercializa alimentos que podem ser consumidos in natura ou transformados em outros produtos, como gin, charcutaria e derivados de goiaba. O objetivo é claro: “Para 2026 queremos escalar nossa produção”, projeta o empreendedor.

Flor de Luz Biojoias: peças autorais feitas com flores desidratadas e inspiração na flora de Mato Grosso do Sul. Em 2026, a marca projeta os primeiros passos na exportação.Flor de Luz Biojoias: peças autorais feitas com flores desidratadas e inspiração na flora de Mato Grosso do Sul. Em 2026, a marca projeta os primeiros passos na exportação.

Biojoias da flora sul-mato-grossense ganham o mundo - Outra história que ilustra a força da bioeconomia em Mato Grosso do Sul é a da Flor de Luz Biojoias. A marca nasceu quando a fisioterapeuta Beatriz Corregaro decidiu mudar de área e buscar algo novo na carreira. Navegando pela internet, ela encontrou um curso de biojoias e resolveu arriscar. A coincidência de a professora ter formação em biologia botânica foi decisiva para aprofundar o conhecimento sobre as espécies usadas nas peças.

“Com 20 dias deixei algumas peças prontas e minha professora comentou que era um trabalho que demoravam seis meses para ser feito. Isso também estreitou minha amizade com essa professora. Acabei indo para uma feira de economia criativa e depois disso nunca parei. Como fisioterapeuta, eu já trabalhava com as mãos, só não era com artesanato. Agora em 2025 eu fechei meu consultório para só trabalhar com minha loja”, conta Beatriz.

As peças autorais da Flor de Luz Biojoias são feitas com flores desidratadas e têm inspiração na flora de Mato Grosso do Sul, reforçando a ligação com a identidade local. A empresária agora se dedica a aprofundar técnicas e conhecer melhor a dinâmica do mercado.

“Nossa flora é muito vasta, testo diferentes técnicas de desidratação, busco flores da temporada, procuro usar a criatividade e escuto muito os meus clientes. Como tenho o selo Made in Pantanal, recebi um reconhecimento e em 2026 meu projeto é começar a exportar”, revela.

Beatriz Mattos comanda a Ybá ao lado do legado da mãe, unindo barbatimão em soluções para humanos e pets. Em 2026, a marca com selo Made in Pantanal projeta expansão para novos mercados.Beatriz Mattos comanda a Ybá ao lado do legado da mãe, unindo barbatimão em soluções para humanos e pets. Em 2026, a marca com selo Made in Pantanal projeta expansão para novos mercados

Barbatimão, cosméticos e linha pet com foco em sustentabilidade - A Ybá é outro exemplo de marca sul-mato-grossense que está usando o selo Made in Pantanal para acessar novos mercados. A empresa é comandada por Beatriz Mattos, que decidiu dar continuidade ao trabalho iniciado pela mãe, responsável por transformar o barbatimão em uma solução acessível para o cuidado das mulheres.

O barbatimão é uma planta medicinal com propriedades cicatrizantes e adstringentes, presente no Cerrado e em áreas de transição com o Pantanal, como Aquidauana. A partir dessa matéria-prima, a Ybá desenvolveu uma linha de produtos voltados para a saúde das pessoas e, mais recentemente, lançou uma linha veterinária.

“Quando tive a oportunidade de receber a empresa, queria transformar em algo maior. Pensamos sempre na saúde, temos os produtos para as pessoas e lançamos a linha veterinária. Quero em 2026 valorizar mais ainda a sustentabilidade, a maioria da nossa matéria-prima é biodegradável, então pensamos também na embalagem, para que seja sustentável”, afirma a empresária.

Com o selo Made in Pantanal, Beatriz levou os produtos da Ybá à COP30 e aposta nas plataformas de marketplace como estratégia para ampliar a visibilidade da fábrica regional em novos mercados. “Elas têm um alcance grande, que como Ybá sozinha a gente não teria a mesma capacidade. Para 2026 vamos ter um foco maior na linha veterinária, ajudar a melhorar a vida de pets, e vamos repaginar a nossa linha de produtos para as pessoas, para que ela seja ainda mais acessível”, projeta.

Vitrine internacional para negócios regionais - A atuação integrada do Sebrae/MS, do selo Made in Pantanal e dos empreendedores mostra um caminho consistente de fortalecimento da bioeconomia sul-mato-grossense. A combinação entre origem certificada, compromisso ambiental e uso de plataformas digitais coloca esses negócios em um novo cenário de competitividade, sem perder a conexão com o território.

Quem quiser conhecer mais sobre a plataforma Made in Pantanal pode acessar o site madeinpantanal.sebrae.com.br. Para acompanhar oportunidades de negócios e outras histórias de empreendedores do Estado, o Sebrae/MS também disponibiliza o portal ms.sebrae.com.br e o atendimento pelo telefone 0800 570 0800.

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