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09 de janeiro de 2026 - 09h19
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MINISTRO DA CASA CIVIL

Rui Costa diz que Lula apoia investigação sobre esquema do INSS

Ministro da Casa Civil afirma que presidente defende transparência total nas apurações e direito de defesa, após PF citar Lulinha em inquérito sobre descontos indevidos

8 janeiro 2026 - 14h25Gabriel de Sousa, Gabriel Hirabahasi e Victor Ohana
Rui Costa
Rui Costa - (Foto: ABrasil)

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta quinta-feira, 8, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoia a investigação de qualquer brasileiro envolvido no escândalo dos descontos indevidos do INSS, inclusive quando há menções a familiares. A declaração foi dada ao ser questionado sobre a citação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, em inquérito da Polícia Federal.

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“O presidente Lula é muito claro: qualquer cidadão pode ser investigado, ter direito de defesa e responder judicialmente pelos seus atos. Nós defendemos absoluta transparência na apuração desse episódio do INSS, que agora avança para ter os responsáveis”, disse Rui Costa. A fala ocorreu após o evento que marcou os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro, no Palácio do Planalto.

A investigação conduzida pela PF apura um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Segundo o que já foi identificado, segurados do INSS sofreram lançamentos não autorizados em seus benefícios, envolvendo serviços e produtos que não teriam sido contratados por essas pessoas. O foco agora é rastrear quem se beneficiou do esquema e quais eram as funções de cada integrante na estrutura criminosa.

No curso da apuração, a PF localizou menções a Fábio Luís em diferentes frentes de prova. As referências aparecem em diálogos por WhatsApp, registros de passagens aéreas, anotações e no depoimento de uma testemunha. Esses elementos levaram a Polícia Federal a informar o Supremo Tribunal Federal (STF) de que pretende aprofundar as apurações sobre o conteúdo dessas citações.

Como revelou o Estadão, o ponto central que será verificado é se Lulinha teria algum tipo de participação societária não formalizada com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como líder do esquema de descontos indevidos. A PF comunicou ao STF que vai investigar se ele seria um “sócio oculto” do empresário.

A defesa de Fábio Luís nega qualquer vínculo com a trama. Procurados, os advogados afirmaram que ele nunca teve relação com o esquema do INSS e classificaram as menções identificadas pela PF como “ilações”, ou seja, conclusões sem base concreta. A estratégia da defesa é tentar separar as citações encontradas nos materiais analisados de qualquer tipo de comprovação de envolvimento direto.

Ao ser questionado sobre essas menções, Rui Costa evitou comentar detalhes específicos da investigação, mas reforçou a mensagem de que não há blindagem para ninguém. Ao falar em “qualquer cidadão”, o ministro tenta deixar claro que a posição do governo é de não interferência na atuação da PF e do Ministério Público, mesmo quando o caso atinge pessoas próximas ao presidente.

Nos bastidores de Brasília, a investigação é vista como mais um teste para o discurso de respeito às instituições que o governo Lula vem adotando, especialmente depois do 8 de janeiro. Ao defender que todas as pessoas citadas tenham direito de defesa, mas também sejam investigadas, Rui Costa busca equilibrar a imagem de um governo que não tenta travar apurações com a necessidade de proteger garantias individuais.

O inquérito sobre o esquema do INSS ganhou destaque pela dimensão potencial do prejuízo e pelo perfil das vítimas: aposentados e pensionistas, em geral pessoas de baixa renda e com pouca informação sobre os serviços atrelados aos descontos. A expectativa é que a investigação detalhe melhor como funcionava a cadeia de intermediação que permitiu os lançamentos indevidos e quais empresas eram beneficiadas.

No caso específico das menções a Lulinha, a PF ainda está na fase inicial de análise dos elementos coletados. O fato de as referências envolverem conversas, viagens e anotações indica, para os investigadores, que é preciso cruzar dados antes de qualquer conclusão. A comunicação ao STF, informando sobre a intenção de examinar se havia eventual sociedade oculta, funciona como uma forma de dar transparência ao andamento do inquérito, já que o caso tramita sob a supervisão da Corte.

Rui Costa, ao falar em “absoluta transparência”, também tenta afastar qualquer suspeita de que o governo possa atuar para limitar o alcance das apurações. Em outras ocasiões, integrantes do Planalto já haviam insistido que a PF tem autonomia para investigar, mesmo quando o caso envolve pessoas com ligação política com o governo. A posição agora é repetida em um contexto em que o filho do presidente passa a ser mencionado em peças oficiais da investigação.

A defesa de Fábio Luís, ao chamar as referências de “ilações”, sinaliza que pode tentar, mais à frente, contestar a própria pertinência de manter o nome dele na investigação, caso não surjam provas mais concretas ligando o empresário ao esquema. Por ora, porém, a Polícia Federal mantém a linha de aprofundar a apuração, especialmente em relação à figura de Careca do INSS, tratado como pivô do esquema de descontos indevidos.

Enquanto o inquérito avança, o caso pressiona também o governo a dar respostas sobre o funcionamento da fiscalização em torno dos benefícios do INSS. O escândalo envolve um sistema que, por custo e impacto social, é um dos principais pilares das políticas públicas brasileiras. A identificação de fraudes e descontos não autorizados expõe fragilidades na proteção aos beneficiários e alimenta cobranças por medidas de controle mais rígidas.

A fala de Rui Costa, portanto, cumpre dois papéis. De um lado, reforça a mensagem de que o presidente Lula não pretende criar exceções para pessoas próximas quando se trata de investigação. De outro, tenta mostrar que o governo está alinhado com o objetivo de identificar e punir os responsáveis pelos desvios no INSS, apresentando o caso como tema de interesse público e institucional, e não apenas como um episódio que envolve o filho do presidente.

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