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VOLTA ÀS AULAS

Retorno às aulas pressiona orçamento das famílias com alta nos preços do material escolar

Planejamento financeiro e reutilização de itens se tornam estratégias para pais reduzam gastos no início do período letivo

8 janeiro 2026 - 12h00Jamille Gomes e Maria Edite Vendas
Fatores como a papelaria escolhida, a forma de pagamento e a marca dos produtos  influenciam diretamente no preço final da compra.
Fatores como a papelaria escolhida, a forma de pagamento e a marca dos produtos influenciam diretamente no preço final da compra. - (Foto: Jamille Gomes)

Janeiro marca o retorno às aulas e, para muitas famílias, o início de gastos extras como a compra de materiais escolares e a rematrícula dos pequenos. Em 2026, os preços acima do esperado tornaram ainda mais necessária a busca por alternativas para economizar e aliviar o orçamento.

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Segundo dados divulgados pelo Procon/MS (Secretaria Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor de Mato Grosso do Sul), a variação de preços entre estabelecimentos, principalmente em materiais de escrita como canetas e lápis, pode ultrapassar os 300%. A junção dos gastos com material escolar e o resquício das festas de fim de ano, pode deixar muitos pais no vermelho. Para fugir de possíveis dívidas, a alternativa que muitos encontraram foi o planejamento financeiro.

A professora de educação infantil, Gisele Vasque, conta que a organização é fundamental para evitar dívidas no início do ano. Mãe de duas crianças, uma menina de 10 anos e um menino de 2, ela explica que costuma guardar dinheiro para quitar as despesas à vista, o que garante mais tranquilidade no orçamento, mas, neste ano, precisou adotar outra estratégia. "Nós recorremos a essa organização prévia porque, sem ela, podemos acabar nos endividando. Geralmente, nós economizamos esse dinheiro para poder comprar com tranquilidade no início do mês, mas neste ano optamos por comprar todo o material e dividir em dez vezes para ir pagando ao longo do ano."

A presença das crianças no momento de escolha dos materiais pode ser um ponto decisivo no valor final da compra. (Foto: Jamille Gomes)

O gerente da Livromat, Edgar Arena, afirma que os consumidores têm adotado cada vez mais a pesquisa de preços antes de ir à loja, principalmente por meio de canais digitais, o que facilita o planejamento das compras e agiliza o atendimento presencial. "O cliente geralmente prefere fazer o orçamento primeiro pelo WhatsApp, depois já solicita que o material seja separado para que quando venha à loja, precise apenas conferir e efetuar o pagamento. Os preços de itens como mochilas e cadernos variam constantemente, por isso fazemos pesquisas frequentes junto aos fornecedores, buscando oferecer produtos com melhor custo-benefício."

A servidora pública Carina Bandeira adota esse hábito há anos e avalia, caso a caso, qual alternativa é mais vantajosa. "Eu sempre faço essa pesquisa de campo para ver se compensa, porque a escola oferece a opção de pagar a taxa de papelaria ou comprar o material por conta própria. Então, comparo para saber se realmente vale mais a pena comprar ou se gera economia optar pela taxa."
Diante da oscilação nos preços registrados nas lojas físicas, muitos pais têm buscado alternativas fora do comércio presencial, principalmente para comparar valores e reduzir os gastos com itens de maior valor. A servidora pública Camila Couto relata que já adquiriu diversos itens pela internet justamente pela diferença de preços e pela praticidade. "Às vezes eu prefiro comprar online. Até mochila eu já comprei, assim como canetinhas e outros materiais que as crianças pedem em maior quantidade, como lápis de colorir. Na internet, muitas vezes, o preço é melhor e acaba compensando, principalmente porque uso aplicativos que oferecem frete gratuito."

A reutilização de materiais de outros anos também marca presença entre as alternativas para economizar, principalmente entre mães com mais de um filho, como é o caso de Camila, que tem duas meninas, uma no ensino infantil e outra no fundamental. ''Mochila eu compro e elas usam mais de um ano porque dura bem e como elas têm cuidado com o estojo e a lancheira sempre dá para reutilizar o conjunto todo. Se o caderno sobra folhas, eu tenho o costume de tirar as da frente e reutilizar, nem que seja para elas brincarem em casa ou para usarem como papel rascunho. Isso é uma coisa que eu sempre tento manter.'' E completa: ''Teve um ano inclusive que eu mudei a mochila delas e a gente pegou e doou as antigas.''

E não é só nas típicas papelarias que o material escolar ganha espaço, em lojas de variedades como as Lojas G, antiga lojas Giga, kits com preços mais acessíveis tomam conta das prateleiras e dos anúncios de promoção. Como explica a encarregada de loja, Adriana Arguelho: ''Nós temos kits com preços mais acessíveis que compensam mais do que as compras unitárias. Alguns vem com a lancheira, estojo e a mochila e já outros mais focados nos materiais individuais vem com lápis de cor, caneta, borracha e lápis de escrever.''

Adriana afirma que a variedade de preços sempre foi prioridade para a gerência, e por isso as lojas buscam oferecer desde produtos mais acessíveis a mochilas que ultrapassam os R$400. (Foto: Jamille Gomes)

A funcionária explica os parâmetros utilizados para a escolha dos produtos que serão disponibilizados e a busca por variedade. ''No mês de dezembro, nós já começamos a preparação do material escolar. Realizamos a classificação, a análise para os preços se tornarem mais atrativos, e pesquisar quais os produtos que as crianças preferem. Como por exemplo aqueles com os desenhos do Stitch e do Homem-Aranha.''

Lista escolar - No processo de compra do material, muitos pais ainda têm dúvidas sobre a real necessidade e o uso de alguns itens pedidos pelas instituições de ensino, que podem tornar a compra do material bem mais cara do que o previsto.

A servidora pública Luciana Volsi considera que neste ano a lista de materiais está mais equilibrada, mas lembra que, no ano passado, constavam produtos que não tinham uma finalidade clara para as famílias. "Na escola da minha filha era solicitado a compra de tecidos, eu não sabia muito bem para que eram usados e era difícil encontrar, ainda mais sem ter noção do preço. Muitas vezes, eu comprava na primeira loja que eu achava. Era um material de uso coletivo que ficava somente na escola e pesava bastante no nosso orçamento."

As listas escolares incluem itens como placa de isopor, juta e prendedores de roupa. Materiais que, para muitas mães, podem não ser usados no decorrer do ano letivo. (Foto: Jamille Gomes)

Por outro lado, a professora auxiliar de sala, Nathalia Paschoarello, explica que o uso de produtos coletivos como EVA e TNT é parte essencial do método pedagógico, principalmente na primeira idade, onde o aprendizado precisa ser mais interativo. ''Na sala de aula nós usamos esses materiais para a decoração e para a confecção dos itens lúdicos, já que um dos principais meio de ensino com crianças é o uso da ludicidade.''

"As crianças são seres visuais que aprendem a partir do que veem, e ao incentivar a imaginação delas nós elevamos o 'faz de conta', e a partir disso elas constroem suas relações com a sociedade do jeito que veem o mundo. E esses materiais, como o feltro e outros tecidos, são meios para desencadear esse faz de conta", explica.

A professora ressaltou ainda que os materiais coletivos como pincéis, massinha e tintas servem tanto para atividades artísticas quanto para desenvolver o senso de responsabilidade das crianças no que diz respeito aos seus pertences e os da turma, algo de extrema importância nessa fase de aprendizagem.

O Procon esclarece que, desde 2016, uma deliberação do Conselho Estadual de Defesa do Consumidor de Mato Grosso do Sul, de nº 2/2016, proíbe expressamente que as listas de materiais escolares incluam a exigência de produtos de uso coletivo, como itens de limpeza ou materiais administrativos das instituições de ensino.

O órgão ressalta ainda que "os materiais solicitados devem ser de uso exclusivo e restrito ao processo didático-pedagógico do aluno ou da aluna, em quantidades específicas e razoáveis, sem indicação de preferência por marca, modelo ou fornecedor".

Pais e responsáveis que ainda tenham dúvidas ou desejem registrar denúncias podem entrar em contato pelo telefone 151, do Disque Denúncia, ou acessar o site da Secretaria para mais informações.

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