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31 de janeiro de 2026 - 09h55
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ECONOMIA

Reoneração da folha pode frear empregos e afetar varejo em MS, alerta presidente da FCDL

Inês Santiago diz que aumento de contribuição social incide sobre empresas já fragilizadas por reforma tributária e diz que impacto pode chegar ao bolso do consumidor

31 janeiro 2026 - 08h10Da Redação
A presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDLMS), Inês Santiago
A presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDLMS), Inês Santiago - (Foto: Rafael Rodrigues)

O aumento da contribuição sobre a folha de pagamento, conhecido como reoneração, voltou a ser um dos temas mais sensíveis para o setor produtivo em 2026. Em entrevista ao Giro Estadual de Notícias de sexta-feira (30), a presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL/MS), Inês Santiago, fez um alerta sobre o dobro da alíquota sobre a folha, de 5% para 10%, em um contexto de reforma tributária e poucos dias úteis no ano pode significar menos vagas de emprego e menor fôlego para as empresas do varejo.

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Com base no novo sistema “híbrido” de contribuição social, que permite optar por pagar sobre a folha de pagamento e/ou sobre a receita bruta, Inês explicou que o desafio agora é fazer as contas e planejar financeiramente o enquadramento mais vantajoso para cada empresa.

“Agora é hora de sentar com o contador e fazer conta. Porque o sistema é híbrido: a empresa vai pagar 10% sobre a folha mais até 2,7% sobre a receita bruta, ou paga 20% sobre a folha no regime normal. Essa opção vale o ano inteiro e não pode ser alterada depois”, disse.

Esse cenário de escolha de base de contribuição pode parecer técnico, mas tem impacto concreto sobre a operação de milhares de empresas e, especialmente, sobre a geração de empregos.

A reoneração da folha, que não é um imposto, mas uma contribuição social vinculada à Seguridade Social, passou por mudanças desde 2024:

2024: Desoneração da folha foi mantida em parte, com incidência de contribuição sobre a receita bruta entre 1% e 4,5%.

2025: O regime híbrido avançou, com receita bruta ficando entre 0,8% e 3,6% e uma contribuição de 5% sobre a folha.

2026: A contribuição sobre a folha dobra para 10%, enquanto a alíquota sobre receita bruta cai para até 2,7%.

Inês destaca que esse quadro gera um aumento de custos operacionais de pelo menos 60% sobre a folha de pagamento, em comparação com o regime anterior, especialmente para setores com mão de obra intensiva, como varejo, construção civil, transporte e comunicação.

“A folha de pagamento não é um acessório: ela é estrutural no negócio das nossas empresas. Se pesa mais, não haverá abertura de novos empregos e pode até haver fechamento de vagas”, afirmou.

Em entrevista ao Giro Estadual de Notícias de sexta-feira (30), a presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDLMS), Inês Santiago, fez um alerta sobre o dobro da alíquota sobre a folha, de 5% para 10% - (Foto: Rafael Rodrigues)

Ano atípico e desafios adicionais: eleições, Copa e menos dias úteis - A competitividade do varejo em 2026 é agravada pelo fato de este ser um ano atípico: com menos dias úteis, por causa da Copa do Mundo e das eleições gerais, a produtividade pode cair, segundo Inês.

“É um ano em que o Brasil vai parar de quando em quando. Para e retoma o ritmo. Esse cenário dificulta muito o varejo, que já está sob pressão tributária e de custo de operação”, declarou.

Esse impacto repercute diretamente no comportamento do consumidor, o mesmo que coloca alimentação, moradia e contas básicas como prioridades de orçamento familiar. Em anos recentes, por exemplo, o setor habitacional tem enfrentado fortes pressões: segundo o IBGE, a cesta de materiais de construção sob influência do consumo para reformas ou construção da casa própria oscila conforme a inflação, afetando o poder de compra da população e, consequentemente, o varejo local.

Percentuais importantes reforçam a dependência do varejo na economia sulmatogrossense:

85% das empresas no estado são varejistas de comércio e serviço;

65% dos postos de trabalho formal no estado estão no setor de varejo;

63% do PIB de Mato Grosso do Sul é composto por atividades vinculadas ao varejo e serviços.

Inês usou esses números para explicar por que o varejo reage com preocupação à reoneração. “O varejo é quem mais arrecada e emprega no Estado. Na hora de fazer o bolo, o varejo vem com um saco de farinha, e às vezes lhe dão apenas uma colher de incentivo. Isso estrangula o setor”, criticou.

Ela também citou casos recentes de renúncia fiscal que, para o varejo, segundo ela, não trouxeram benefícios reais, uma “colher vazia”, nas palavras dela.

A presidente da FCDL ressaltou que a pressão tributária tende a repercutir no preço final de produtos e serviços. Isso significa menos margem para promoções, menor competitividade de preço e redução da capacidade de investir em inovação e tecnologia (por exemplo, inteligência artificial e melhorias no atendimento).

Isso se conecta diretamente com a questão da moradia: famílias com renda mais pressionada tendem a priorizar gastos essenciais, como aluguel, financiamento habitacional e contas básicas, e reduzir gastos com consumo não essencial, impactando diretamente estabelecimentos varejistas.

Um dos principais alertas de Inês é que os empresários têm até 20 de fevereiro para fazer a opção tributária do ano, e essa escolha não pode ser alterada até o fim de 2026. “Ainda dá tempo de sentar com o contador e planejar. Mas essa escolha feita no recolhimento de janeiro define o enquadramento do ano inteiro”, explicou.

Ela reforça que essa decisão pode ser determinante para a saúde financeira das empresas e, por extensão, para a geração de empregos e a estabilidade do varejo em Mato Grosso do Sul. Confira a entrevista na íntegra:

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