
O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta terça-feira (3) que pretende pautar mudanças na legislação que trata do perímetro de fiscalização do Banco Central sobre bancos e fundos financeiros. A declaração foi feita durante a sessão de abertura dos trabalhos da comissão e ocorre no contexto das investigações envolvendo o banco Master.
Sem detalhar quais dispositivos legais serão alterados, Renan disse que as propostas devem ser votadas ao final dos trabalhos da chamada Comissão do Master. Segundo ele, o objetivo é ampliar a capacidade de atuação do Banco Central sobre determinadas operações financeiras.
“Na conclusão dos trabalhos da Comissão do Master, vamos votar várias alterações na legislação para que o Banco Central possa mais diretamente fazer a fiscalização desses fundos, dessas aplicações”, afirmou o senador.
Renan também reforçou que o grupo de trabalho criado para acompanhar o caso vai investigar eventuais conexões do banco com integrantes da classe política. De acordo com o parlamentar, a apuração não ficará restrita às operações financeiras da instituição.
Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador levantou questionamentos sobre possíveis encontros entre Lula e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Durante a sessão, Renan demonstrou estranhamento com a frequência dessas supostas reuniões.
“O dono de um banco que tem 0,5% do mercado financeiro foi levado três vezes ao presidente da República. Estava lá o ministro da Fazenda, o chefe da Casa Civil, o líder do governo no Senado. Será que todas as pessoas do sistema financeiro com essa participação seriam recebidas dessa forma pelo presidente da República?”, questionou. “Quem levou o Vorcaro para o presidente da República?”
Reportagem do jornal O Globo apontou que Daniel Vorcaro esteve no Palácio do Planalto quatro vezes entre 2023 e 2024. A Presidência da República, no entanto, afirma que o banqueiro não se reuniu com Lula nesses encontros.
Plano de trabalho da comissão - Renan Calheiros informou ainda que apresentará nesta quarta-feira (4) o plano de trabalho do grupo responsável por supervisionar as investigações relacionadas ao banco Master. Segundo ele, a comissão realizará sessões de depoimentos e solicitará acesso a documentos, inclusive materiais protegidos por sigilo.
“É dever desta comissão vasculhar o pântano do banco Master e suas ramificações, doa a quem doer”, declarou o senador.
O parlamentar voltou a defender a apuração de possíveis vínculos entre Vorcaro e agentes políticos, destacando que essas relações já são conhecidas publicamente. “As relações do banqueiro são públicas. Vigarista não distingue ideologia. Todos que se relacionam com ele tiveram condutas criminosas? É outra pergunta. Tem de investigar”, afirmou.
Durante a fala, Renan classificou o caso envolvendo o banco Master como um “esquema de pirâmide” e acusou a instituição de tentar repassar “títulos podres” a um banco público, em referência ao Banco de Brasília (BRB). Para o senador, houve falha na atuação dos órgãos responsáveis pela apuração. “Houve sonolência dos órgãos de investigação”, disse.
As declarações aumentam a pressão política por mudanças no marco regulatório do sistema financeiro e ampliam o alcance das investigações conduzidas no Senado sobre o banco Master.

