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CONGRESSO

Renan acusa Motta e Lira de pressionar TCU no caso do Banco Master

Presidente da CAE diz que recebeu informações sobre atuação para reverter liquidação do banco

19 janeiro 2026 - 16h55Naomi Matsui
Renan Calheiros afirmou que recebeu informações sobre suposta pressão política no caso do Banco Master.
Renan Calheiros afirmou que recebeu informações sobre suposta pressão política no caso do Banco Master. - Roque de Sá/Agência Senado

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta segunda-feira (19) ter recebido informações de que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) teriam pressionado integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar reverter a liquidação do Banco Master. O senador não apresentou detalhes sobre como essa atuação teria ocorrido.

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“Estou tendo informações de que o atual presidente da Câmara dos Deputados e o ex-presidente da Câmara dos Deputados pressionaram e continuam pressionando o Tribunal de Contas da União, aliás, um setor do Tribunal de Contas da União, para que o Tribunal liquide a liquidação”, declarou Renan em entrevista à GloboNews. O senador é adversário político de Arthur Lira em Alagoas.

Questionado se se referia diretamente a Hugo Motta e Arthur Lira, Renan confirmou. “Exatamente, são as informações que eu recebi, não apenas daquele procedimento, mas de vários procedimentos outros que o Tribunal de Contas da União tornou sigilosos, que têm a mesma origem, a mesma pressão”, afirmou.

Críticas a decisões do STF - Renan Calheiros também disse ter estranhado a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso envolvendo o Banco Master. Segundo o senador, chamou atenção a forma como o magistrado conduziu o processo.

“Não somos nós, do Legislativo, que vamos colocar limites no ministro Dias Toffoli, mas foi estranha a maneira como ele se apropriou da investigação e muito estranha a maneira como ele transferiu o sigilo apurado nas investigações para o presidente do Senado”, afirmou.

Banco Central na mira - O senador também direcionou críticas ao Banco Central. Para Renan, a autarquia demorou a agir diante da situação do Banco Master.

“Temos que cobrar responsabilidade do Galípolo e do Banco Central e saber por que eles demoraram tanto a fazer a liquidação do banco Master”, disse, ao afirmar que o BC teria permanecido inerte por um longo período.

Renan anunciou ainda que a CAE deve instalar, na primeira semana de fevereiro, um grupo de trabalho para acompanhar e supervisionar as investigações relacionadas ao caso. O colegiado foi criado na semana passada com sete integrantes e será coordenado pelo próprio senador.

Segundo Renan, o grupo poderá ser ampliado com mais quatro parlamentares e ainda definirá suas prioridades. Entre as possibilidades estão a realização de audiências públicas e, dependendo de deliberação do plenário do Senado, pedidos de quebra de sigilo.

“Vamos fazer audiências públicas e requisitar todas as informações sigilosas, porque a Lei Complementar 105 determina que o Banco Central e a CVM são obrigados a encaminhar essas informações para a comissão, que exerce um papel fiscalizatório, mesmo quando os dados são sigilosos”, afirmou.

As declarações ampliam a pressão política em torno do caso Banco Master e reforçam o debate sobre a atuação de órgãos de controle e fiscalização no episódio.

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