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15 de janeiro de 2026 - 21h17
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ECONOMIA

Real reage, sobe entre emergentes e dólar cai a R$ 5,36 com juros e cenário externo

Diferencial de taxas, menor tensão geopolítica e sinal político interno ajudam moeda brasileira

15 janeiro 2026 - 19h45Caroline Aragaki
Real teve forte recuperação frente ao dólar em dia de maior apetite global por risco.
Real teve forte recuperação frente ao dólar em dia de maior apetite global por risco. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Depois de figurar como a pior moeda entre os emergentes na véspera, o real reagiu nesta quinta-feira, 15, e apresentou o segundo melhor desempenho frente aos pares, atrás apenas do peso mexicano. A recuperação ocorreu em um dia de maior apetite global por risco, sustentada principalmente pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que manteve atrativas as operações de carry trade.

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No mercado à vista, o dólar encerrou o dia em queda de 0,61%, cotado a R$ 5,3681, acumulando baixa de 2,20% em 2026. Já o contrato futuro para fevereiro recuava 0,54%, a R$ 5,389, no fim da tarde. O movimento ocorreu apesar da valorização global da moeda americana, com o índice DXY avançando 0,26%.

Entre os fatores externos, pesou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não pretende demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, além de um ambiente de menor tensão geopolítica envolvendo o Irã, o que ajudou a ampliar a busca por ativos de risco.

“O câmbio parece mais relacionado a um ajuste técnico do que a uma dinâmica estrutural diferente. Há fatores específicos do Brasil, mas o juro elevado aqui, combinado com um Fed cauteloso, sustenta a valorização do real”, avalia Guilherme Souza, economista da Ativa Investimentos.

No Brasil, indicadores econômicos também entraram no radar. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de novembro apontou alta de 1% nas vendas do varejo restrito, superando o teto das projeções do mercado. Mesmo com a leitura de que parte do consumo de dezembro foi antecipada pela Black Friday, a expectativa majoritária segue sendo de que a Selic só comece a cair a partir de março, segundo analistas.

Já nos Estados Unidos, a queda inesperada nos pedidos de auxílio-desemprego, para 198 mil, abaixo da previsão de 215 mil, trouxe dúvidas sobre a velocidade de cortes nos juros americanos, atuando como contraponto ao movimento do câmbio.

Para Fernando César, operador de câmbio da AGK Corretora, o nível da taxa básica brasileira segue sendo decisivo. “A Selic em 15% ao ano ainda é muito atrativa para carry trade. Além disso, Trump reduziu o tom sobre o Irã e descartou mudanças no comando do Fed, o que abriu espaço para maior apetite ao risco”, afirma.

O bom humor também se refletiu na Bolsa brasileira, que renovou recorde histórico intradia, ao alcançar 166 mil pontos.

No cenário político, o mercado reagiu à informação de que o PDT fechou apoio à candidatura de Ratinho Jr. à Presidência da República. A leitura predominante é de que a sinalização amplia as possibilidades de discussão sobre ajuste fiscal, o que tende a ser bem recebido por investidores.

“É uma sinalização relevante. Se mais partidos aderirem, a candidatura pode ganhar viabilidade. Investidores estrangeiros têm olhado com mais atenção para mercados emergentes, especialmente para renda variável, o que também ajuda o real”, afirma Marcos Weigt, head de Tesouraria da Travelex Bank.

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