
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, prometeu implementar um corte de impostos já no próximo ano fiscal e anunciou a convocação de uma eleição antecipada, em uma aposta política que pode fortalecer seu mandato ou levá-la à renúncia. Segundo a chefe de governo, a dissolução da Câmara Baixa tem como objetivo obter respaldo popular para suas propostas econômicas e de política fiscal.
A avaliação de analistas é de que a popularidade pessoal de Takaichi tende a beneficiar o Partido Liberal Democrata (PLD), mesmo após a legenda ter perdido a maioria nas duas Casas do Parlamento em meio a escândalos de financiamento revelados em 2024. Uma vitória expressiva nas urnas abriria espaço para uma agenda econômica mais agressiva, embora a implementação de medidas dependa, ainda, de negociações com a Câmara Alta.
Defensora de maior ativismo fiscal, Takaichi afirma que pretende proteger as famílias japonesas diante do aumento do custo de vida. Entre as promessas, está a adoção de cortes tributários e a possibilidade de suspensão temporária de impostos sobre alimentos. Esses anúncios, porém, acenderam alertas sobre a situação fiscal do país, que já enfrenta elevado endividamento público.
As preocupações se refletiram rapidamente nos mercados. O iene sofreu desvalorização, enquanto os títulos públicos japoneses registraram queda, em meio ao receio de que novos estímulos ampliem os desequilíbrios fiscais. A fraqueza acelerada da moeda eleva os custos de importação e dificulta o controle da inflação, pressionando ainda mais a economia doméstica.
Diante desse cenário, Takaichi afirmou que o governo reagirá a movimentos considerados especulativos no mercado cambial e garantiu que a sustentabilidade fiscal seguirá como uma preocupação central. O mercado financeiro, por sua vez, acompanha de perto a possibilidade de uma intervenção cambial, especialmente após sinais recentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) interpretados como maior tolerância a esse tipo de ação.
A eleição antecipada, no entanto, representa um risco político significativo. Caso a coalizão governista não obtenha vitória nas urnas, a própria Takaichi afirmou que deixará o cargo, o que pode abrir um novo período de instabilidade política em um momento sensível para a economia japonesa.
