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05 de fevereiro de 2026 - 18h54
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CRISE FINANCEIRA

PF investiga grupo que tentou comprar Banco Master e entrou em recuperação judicial

Fictor é alvo de inquérito por suspeita de crimes financeiros após operação barrada pelo Banco Central

5 fevereiro 2026 - 17h40Gustavo Côrtes e Fausto Macedo
Tentativa de compra do Banco Master pelo Grupo Fictor é investigada pela Polícia Federal após liquidação da instituição.
Tentativa de compra do Banco Master pelo Grupo Fictor é investigada pela Polícia Federal após liquidação da instituição. - (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o Grupo Fictor, empresa que apresentou, em novembro do ano passado, uma proposta para adquirir o Banco Master e que entrou com pedido de recuperação judicial no último domingo (1º). A apuração envolve suspeitas de crimes financeiros e ocorre em meio ao aprofundamento da crise que levou à liquidação do banco pelo Banco Central.

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De acordo com a PF, o grupo é investigado por indícios de gestão fraudulenta, apropriação indébita, emissão de títulos falsos e operação de instituição financeira sem autorização. No próprio pedido de recuperação judicial, a Fictor admite a existência de “eventuais ilícitos”, sem detalhar responsabilidades.

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que tentou viabilizar a venda da instituição à Fictor com apoio de investidores árabes. A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central, que decretou a liquidação do banco após identificar suspeitas de fraudes envolvendo a emissão de R$ 12,2 bilhões em títulos considerados irregulares.

Segundo o BC, a tentativa de venda do Master foi avaliada como uma estratégia para encobrir a situação financeira crítica do banco, que já não teria recursos suficientes para honrar compromissos com credores. A autoridade monetária entendeu que a negociação não resolveria os problemas estruturais da instituição.

No pedido de recuperação judicial, a Fictor afirma que busca reorganizar suas finanças para viabilizar o pagamento de cerca de R$ 4 bilhões em dívidas. A empresa sustenta que a decisão do Banco Central de impedir a compra do Master teve impacto direto em sua imagem e agravou sua situação financeira.

Os advogados do grupo alegam que a crise de liquidez começou após o anúncio da proposta de aquisição do Banco Master, feito em conjunto com fundos dos Emirados Árabes Unidos, cujos nomes não foram divulgados. No dia seguinte ao anúncio, em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação do Master, o que, segundo a defesa, acabou estendendo à Fictor a crise de confiança que já cercava o banco.

Como consequência, o grupo afirma que enfrentou uma corrida de clientes. Desde então, houve pedidos de resgate de aproximadamente 70% dos recursos investidos na empresa, o equivalente a quase R$ 2 bilhões. A informação foi confirmada por Carlos Deneszczuk, advogado do escritório DASA Advogados, que coordena o processo de recuperação judicial.

A investigação da Polícia Federal busca agora esclarecer o papel do Grupo Fictor na tentativa de aquisição do Banco Master, a origem dos recursos envolvidos na operação e a eventual participação da empresa nas irregularidades financeiras apontadas pelo Banco Central. O caso se soma às apurações em curso sobre o colapso do Banco Master e seus desdobramentos no sistema financeiro.

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