
Um levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1 sem redução salarial. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (11) e revela que o apoio cresce quando a proposta garante a manutenção dos rendimentos.
Inicialmente, 63% dos entrevistados afirmaram ser a favor do fim da escala 6x1, sem considerar a questão salarial, enquanto 22% disseram ser contrários. Ao serem questionados se apoiariam a proposta caso não houvesse redução de salário, parte dos que eram contra mudou de posição, elevando a taxa de aprovação para 73%.
Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o resultado mostra que a resistência aumenta quando há impacto na renda. “Quase todo mundo é a favor de uma jornada de trabalho menor, mas pouca gente topa abrir mão de recursos financeiros em troca disso”, afirmou.
O levantamento detalha as seguintes respostas:
- 28% são a favor do fim da escala 6x1, mesmo com redução salarial;
- 30% são a favor do fim da escala 6x1, desde que não haja redução de salário;
- 11% são contra o fim da escala 6x1, mesmo sem redução salarial;
- 10% são contra, mas apoiariam se não houvesse redução de salário;
- 6% não são nem a favor nem contra;
- 5% são a favor, mas não se posicionaram sobre salário;
- 1% são contra, mas não opinaram sobre salário.
Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 71% apoiam o fim da escala 6x1, 15% são contra e 15% não opinaram.
Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 53% são favoráveis, 32% contrários e 15% não souberam ou não quiseram responder.
A pesquisa também indica que 62% dos entrevistados afirmam já ter ouvido falar da proposta. No entanto, apenas 12% dizem entender bem o que ela significa. Outros 35% nunca ouviram falar sobre o assunto.
Foram ouvidas 2.021 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as 27 unidades da federação, entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Debate no Congresso
Na segunda-feira (9), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu anexar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) a uma proposta semelhante de 2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que estava parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Motta afirmou que o debate sobre o tema é “inadiável”.
O dado revelado pela pesquisa ajuda a explicar por que a discussão ganhou fôlego no Congresso: há apoio expressivo à redução da jornada, mas a manutenção do salário é o ponto central para consolidar esse respaldo popular.

