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12 de fevereiro de 2026 - 18h50
MERCADO DE TRABALHO

Pesquisa mostra que 84% dos brasileiros defendem dois dias de folga por semana

Levantamento da Nexus aponta apoio ao fim da escala 6x1, mas maioria rejeita redução salarial

12 fevereiro 2026 - 16h50
Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros defende dois dias de descanso semanal, mas rejeita redução salarial
Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros defende dois dias de descanso semanal, mas rejeita redução salarial - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasi

Uma pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados em todas as 27 unidades da Federação indica que a maioria dos brasileiros defende mudanças na jornada de trabalho. Segundo o levantamento, 84% dos entrevistados são favoráveis a que trabalhadores tenham, no mínimo, dois dias de descanso por semana.

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O estudo foi feito entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, com 2.021 pessoas acima de 16 anos. O tema em debate é o fim da escala 6x1, modelo em que o funcionário trabalha seis dias e descansa apenas um.

De acordo com os dados, 73% apoiam o fim da escala 6x1 desde que não haja redução de salário.

Conhecimento sobre o tema ainda é limitado - O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, explicou nesta quinta-feira, 12, à Agência Brasil, que 62% dos entrevistados sabem que há discussão no governo federal e no Congresso Nacional sobre o fim da escala 6x1.

“A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50% conhecem mais ou menos”, afirmou.

Quando questionados de forma mais direta, 63% se mostraram favoráveis ao fim da jornada 6x1. Porém, ao incluir a possibilidade de redução salarial, o cenário muda.

Entre os que apoiam a mudança, 30% disseram que continuam favoráveis apenas se não houver impacto no salário. Já entre os 22% que se declararam contra o fim da escala, 10% afirmaram que aceitariam a alteração caso não houvesse redução na remuneração.

Com a hipótese de diminuição salarial, o apoio ao fim da escala cai para 28%. Outros 40% só concordam com a mudança se não houver perda de renda. Há ainda 5% que são favoráveis ao fim da jornada, mas não têm opinião formada sobre a questão salarial.

Renda pesa na decisão - Para Tokarski, o principal ponto da discussão no Congresso será justamente se a redução da jornada ocorrerá com ou sem corte de salários.

“Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirmou. Segundo ele, a maioria deseja mais tempo de descanso, mas a situação econômica influencia diretamente a posição dos entrevistados.

“Acho que é um pouco essa leitura que a pesquisa nos traz e que joga luz sobre essa discussão”, disse.

O CEO da Nexus destacou que, em um país de renda média baixa e com mercado de trabalho precarizado, muitos trabalhadores não aceitam reduzir jornada se isso significar menos dinheiro no fim do mês.

Divisão por voto nas eleições - A pesquisa também apontou diferenças conforme o voto no segundo turno das eleições de 2022.

Entre os que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 71% são favoráveis ao fim da escala 6x1, enquanto 15% são contra e 15% não opinaram.

Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 53% apoiam o fim das 44 horas semanais, 32% são contrários e 15% não opinaram.

Tramitação da PEC - A Proposta de Emenda à Constituição 148/2015 foi aprovada em 10 de dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O texto ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara dos Deputados, com apoio mínimo de 49 senadores e 308 deputados.

Caso seja aprovada, a mudança ocorrerá de forma gradual. No primeiro ano, as regras atuais seriam mantidas. No ano seguinte, o número de dias de descanso semanal subiria de um para dois.

Atualmente, a jornada máxima é de 44 horas semanais. A partir de 2027, esse limite poderá cair para 40 horas. Em 2031, o teto final previsto é de 36 horas semanais.

Anteriormente, previa-se que os empregadores não poderiam reduzir a remuneração para compensar o novo tempo de descanso. Esse ponto ainda será analisado pelo Congresso.

Quando perguntados se acreditam que a proposta será aprovada, 52% dos entrevistados responderam que sim. Outros 35% disseram que não e 13% não opinaram. Apenas 12% afirmaram entender bem o conteúdo da PEC.

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