
Os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste, conhecidos como a “caixa d’água do País”, devem terminar janeiro com menos da metade de sua capacidade. Atualização do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que a energia armazenada na região deve ficar em 46,7% no fim do mês, abaixo da projeção anterior, que era de 52,0%.
Segundo o boletim divulgado nesta sexta-feira, 9, a Energia Armazenada (EAR) nas usinas do Sudeste/Centro-Oeste está atualmente em 43,0%. Ou seja, mesmo com a previsão de leve alta até o fim de janeiro, o patamar esperado de 46,7% ficou bem abaixo do que o ONS previa antes, 52,0%.
A revisão está diretamente ligada à queda nas chuvas sobre os reservatórios, medida pela Energia Natural Afluente (ENA). Na estimativa anterior, a afluência na região estava projetada em 82% da Média de Longo Termo (MLT). Agora, o índice recuou para 65% da média histórica, o equivalente a 42.820 MWmed.
Na prática, isso significa que as hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste estão recebendo menos água do que se imaginava no início do mês, o que reduz a capacidade de recuperar os reservatórios em ritmo mais acelerado.
O boletim do ONS mostra que o Nordeste segue a mesma tendência de frustração nas chuvas. A expectativa de armazenamento para o fim de janeiro caiu de 53,2% para 49,6%.
Mesmo assim, o nível projetado ainda representa uma pequena melhora em relação à situação atual. De acordo com o operador, se a previsão se confirmar, haverá um aumento de 2,3 ponto porcentual em relação ao que está medido hoje nos reservatórios nordestinos.
A ENA do Nordeste também foi revisada para baixo. A projeção passou de 48% para 41% da média histórica, o que corresponde a 5.452 MWmed. Com menos água chegando aos reservatórios, o ritmo de recuperação fica limitado, e a região tende a fechar o mês apenas encostando na marca de 50% de armazenamento.
No Norte, o quadro também piorou em relação ao boletim anterior. A previsão de armazenamento para o fim de janeiro recuou para 50,5%, queda de 9,6 pontos porcentuais em relação à estimativa anterior.
A mudança reflete uma revisão importante na expectativa de chuvas. A ENA esperada para o Norte caiu de 90% para 59% da média histórica, o que representa 9.333 MWmed.
Com menos água entrando nos reservatórios, a região deve encerrar o mês pouco acima dos 50%, em contraste com o cenário mais confortável que vinha sendo desenhado antes da nova projeção.
Entre os quatro submercados do País, o Sul é o único em que o ONS ainda espera chuvas acima da média para janeiro. A projeção de afluência ficou em 7.731 MWmed, o equivalente a 102% da MLT.
Mesmo assim, houve ajuste para baixo. No boletim anterior, o índice era maior, e a nova estimativa representa uma redução de 2 pontos porcentuais nas chuvas esperadas, embora ainda em patamar acima da média histórica.
No armazenamento, a perspectiva também é de recuo. Os reservatórios do Sul devem terminar janeiro com 63,7% de capacidade, abaixo dos 69,6% medidos atualmente. Ou seja, mesmo com chuvas ligeiramente acima da média, a região tende a usar mais água do que recebe ao longo do mês.
O conjunto de dados do ONS mostra que, em quase todo o sistema, janeiro deve ser mais seco do que se projetava inicialmente. Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte tiveram as previsões de afluência reduzidas, o que se reflete diretamente nas estimativas de armazenamento.
A “caixa d’água do País”, formada pelos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, continuará em nível intermediário, sem chegar à metade da capacidade neste começo de ano. Nordeste e Norte também oscilam em torno da marca de 50%, enquanto o Sul, mesmo com chuvas acima da média, deve fechar o mês em patamar inferior ao que registra hoje.
Com o novo boletim, o operador ajusta as expectativas para o restante de janeiro e indica um cenário mais conservador em relação à recuperação dos reservatórios em praticamente todo o País.

