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08 de fevereiro de 2026 - 18h05
ECONOMIA

Programa Move Brasil libera R$ 2 bilhões em crédito para renovação de caminhões em um mês

Segundo Alckmin, alta dos juros travou vendas do setor, e linha de financiamento ajudou a reaquecer o mercado

8 fevereiro 2026 - 16h30
Move Brasil já liberou cerca de R$ 2 bilhões em crédito no primeiro mês.
Move Brasil já liberou cerca de R$ 2 bilhões em crédito no primeiro mês. - Marcelo Camargo/Agência Brasil

O programa Move Brasil liberou cerca de R$ 2 bilhões em financiamentos para a renovação da frota de caminhões apenas no primeiro mês de funcionamento. A informação foi divulgada neste domingo (8) pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante evento realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo.

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A iniciativa do governo federal tem como objetivo substituir veículos antigos, estimular a retomada das vendas e reduzir impactos ambientais no transporte de cargas. O setor vinha enfrentando retração expressiva. Em 2025, as vendas de caminhões recuaram 9,2% em relação ao ano anterior. No segmento de veículos pesados, voltados ao transporte de longas distâncias, a queda foi ainda maior, chegando a 20,5% na comparação com 2024.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que o mercado começou o ano em ritmo negativo. Apenas em janeiro, a retração foi de 34,67% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Para Alckmin, a principal razão da queda nas vendas foi o patamar elevado da taxa de juros no país, que dificultou o acesso ao crédito para aquisição de bens de alto valor, como caminhões.

“Temos recorde de safra, com aumento de 17,9%. Também de exportação, com US$ 349 bilhões, e uma corrente de comércio de US$ 629 bilhões. Esses produtos precisam chegar a portos e aeroportos. Qual foi o problema? A taxa de juros”, afirmou o vice-presidente.

Segundo ele, a maioria das compras desse tipo depende de financiamento. “Normalmente, quem compra esse tipo de bem de uso duradouro financia. A taxa estava em 22%, 23% ao ano. A resposta agora foi boa, cerca de R$ 1,9 bilhão neste comecinho”, disse.

O programa já começou a impactar empresas do setor de transporte. Dono de uma transportadora em Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo, Orlando Boaventura contratou financiamento por meio do Move Brasil para ampliar a frota. A empresa, de caráter familiar, existe há 20 anos e emprega 30 funcionários.

Com os recursos, foi adquirido o 29º caminhão da frota. “Um modelo novo gasta hoje até R$ 200 a menos em combustível em uma viagem daqui para o Rio de Janeiro, por exemplo. A gente busca a renovação de frota e essa taxa de juros é adequada, está dentro do nosso padrão”, relatou. Segundo Boaventura, a empresa pretende contratar mais cinco trabalhadores ainda neste ano.

Representando os trabalhadores, Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, destacou que o programa é resultado de articulação entre governo, empresas e sindicatos. Para ele, além da preservação de empregos, o Move Brasil contribui para a redução de emissões de carbono e para a transição do setor logístico para modelos mais sustentáveis.

Durante o evento, representantes da indústria defenderam a manutenção da linha de crédito como forma de estimular a recuperação do setor, que envolve não apenas montadoras, mas também concessionárias, fabricantes de autopeças e serviços ligados à cadeia automotiva.

O CEO da Scania no Brasil, Christopher Polgorski, avaliou que o cenário pode melhorar com a perspectiva de queda da taxa Selic, mas destacou a importância do programa. “Vemos uma tendência do Banco Central de pensar o início de um ciclo de redução da taxa Selic. Isso talvez compense, caso não haja continuidade do programa, mas ele já tem um valor importante porque antecipa a expectativa de como a taxa estará a partir do terceiro e quarto trimestres deste ano”, afirmou. Ele acrescentou que cada emprego mantido diretamente na produção e vendas sustenta outros seis postos indiretos.

Alckmin informou que o Move Brasil não tem prazo fixo para ser encerrado e que o teto de recursos deve permanecer em R$ 10 bilhões. “Neste momento não temos discussão de aumento do valor. O prazo pode durar dois meses, quatro meses, seis meses, até que o recurso se esgote. Depois disso nós vamos estudar”, disse.

O Move Brasil oferece crédito para compra de caminhões novos e seminovos fabricados a partir de 2012, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os veículos precisam atender a critérios ambientais estabelecidos pelo programa.

No fim de janeiro, a linha Renovação da Frota, dentro do Move Brasil, beneficiou caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas transportadoras de 532 municípios. Apenas no último mês, foram realizadas 1.152 operações, com valor médio de R$ 1,1 milhão.

Ao todo, o programa disponibiliza R$ 10 bilhões em crédito, com recursos do Tesouro Nacional e do BNDES. Desse total, R$ 1 bilhão é reservado exclusivamente para caminhoneiros autônomos e cooperados. As taxas de juros variam entre 13% e 14% ao ano, com condições mais vantajosas para quem comprovar a entrega de veículos antigos para desmonte.

O limite de financiamento é de até R$ 50 milhões por beneficiário, com prazo máximo de cinco anos para pagamento e carência de até seis meses. Todas as operações contam com cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que pode garantir até 80% do valor financiado.

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