
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira (16) que o valor do salário mínimo no Brasil, reajustado para R$ 1.621 em 2026, ainda é insuficiente. Segundo ele, é necessário que trabalhadores e governo atuem juntos para pressionar por aumentos reais nos próximos anos.
“O salário mínimo é muito pouco. O que eu estou fazendo apologia aqui é da criação da ideia desse País ter um salário mínimo. Todos nós, governo e vocês, temos a obrigação de brigar para que ele melhore”, declarou Lula durante evento oficial em Brasília.
O presidente destacou que o salário mínimo tem papel central na renda de trabalhadores que não possuem representação sindical e também de aposentados. Para Lula, esses grupos são os mais impactados pelo valor definido anualmente, enquanto outras categorias conseguem negociar salários acima do piso nacional.
Durante o discurso, Lula voltou a defender que o aumento do salário mínimo acompanhe o crescimento da economia. Para ele, o Produto Interno Bruto (PIB) é resultado direto do trabalho da população e, por isso, os ganhos econômicos devem ser repartidos.
“O PIB é o resultado do crescimento da economia produzido pelo povo brasileiro. Então é justo que você, quando cresce o PIB, cresça o PIB do trabalhador. É justo que você reparta com os trabalhadores, que são os responsáveis pelo crescimento do PIB”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento em que o governo tenta reforçar o discurso de valorização da renda, especialmente entre as faixas mais baixas do mercado de trabalho.
Além do salário mínimo, Lula também saiu em defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Criada no mesmo período histórico do piso salarial, a legislação trabalhista, segundo o presidente, costuma ser rotulada como ultrapassada, inclusive por setores da esquerda.
Na avaliação de Lula, a CLT segue sendo um instrumento fundamental para garantir direitos básicos aos trabalhadores brasileiros, especialmente em um cenário de mudanças nas relações de trabalho.
As declarações foram feitas durante o lançamento de uma medalha comemorativa pelos 90 anos do salário mínimo, criado em 1936. O evento aconteceu na Casa da Moeda e reuniu integrantes do primeiro escalão do governo federal.
Participaram da cerimônia os ministros Esther Dweck (Gestão e Inovação), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Segundo Lula, o objetivo do ato não foi exaltar o valor atual do salário mínimo, mas sim a iniciativa histórica de instituir um piso salarial no país.
“Nós não estávamos fazendo um ato em apologia ao valor do salário mínimo, porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil. Estamos fazendo apologia à ideia de um presidente da República que, em 1936, criou a possibilidade de se estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares que todos temos direito”, afirmou.
O presidente também voltou a se comparar ao ex-presidente Getúlio Vargas, citando que ambos teriam sido os únicos a investir de forma consistente em políticas voltadas aos trabalhadores.

