Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
22 de janeiro de 2026 - 18h47
SEGOV IPVA
DIPLOMACIA ECONÔMICA

Lula e Modi discutem parceria estratégica e ampliam foco do Brasil no mercado indiano

Conversa por telefone antecipou temas da visita presidencial à Índia, marcada para fevereiro

22 janeiro 2026 - 17h10
Lula e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, discutiram por telefone a ampliação da cooperação bilateral.
Lula e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, discutiram por telefone a ampliação da cooperação bilateral. - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, conversaram por cerca de 45 minutos, nesta quinta-feira (22), sobre a ampliação da cooperação bilateral entre os dois países. De acordo com o Palácio do Planalto, o diálogo abordou áreas consideradas estratégicas, como defesa, comércio, saúde, energia, ciência e tecnologia, além da exploração de minerais críticos, terras raras e a produção de biocombustíveis.

Canal WhatsApp

Os temas tratados deverão ser aprofundados durante a visita oficial que Lula fará à Índia entre os dias 19 e 21 de fevereiro. A viagem, organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), integra a estratégia do governo para fortalecer relações comerciais, ampliar a presença de produtos brasileiros no mercado indiano e atrair novos investimentos.

A agenda presidencial ocorre em meio às negociações para a ampliação do acordo comercial entre o Mercosul e a Índia, visto pelo governo como uma das frentes com maior potencial de crescimento para o comércio exterior brasileiro nos próximos anos.

“O presidente está apostando muito nesta missão”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ao comentar a viagem durante entrevista coletiva. Segundo ele, a Índia ocupa hoje um papel central nas projeções econômicas do Brasil. “Se me perguntarem onde acho que está o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil, eu responderei sem medo de errar: Índia”, declarou.

Com cerca de 1,45 bilhão de habitantes, a Índia representa um mercado muito superior ao brasileiro em termos populacionais, mas ainda pouco explorado nas exportações nacionais. Em 2025, o Brasil importou quase US$ 8,5 bilhões em produtos indianos. Já as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 7 bilhões.

Atualmente, a pauta exportadora brasileira para a Índia é concentrada em poucos produtos. O petróleo responde por cerca de 30% das vendas, seguido por açúcar e melaço (15%), gorduras e óleos vegetais (14%) e minério de ferro (6%). Para Viana, esse perfil precisa mudar. “Queremos diversificar isto”, afirmou, ao citar também produtos como óleo combustível, defensivos agrícolas, medicamentos e acessórios automobilísticos.

Outro ponto destacado é a cooperação na área agrícola. Segundo o presidente da ApexBrasil, Lula deseja ampliar a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da pequena agricultura brasileira em projetos voltados ao aumento da produtividade dos pequenos produtores rurais indianos. “São milhões de pessoas”, lembrou Viana, ao defender a troca de conhecimento técnico entre os países.

A missão presidencial já desperta grande interesse do setor privado. Quase 200 empresários brasileiros manifestaram intenção de integrar a comitiva. “Vai passar disso. Faz apenas dois dias que abrimos as inscrições e o interesse do setor privado está muito grande”, afirmou Viana. Ele explicou que os executivos arcam com custos de passagem e hospedagem.

Parte da agenda também prevê encontros com representantes de grandes empresas indianas que já investem no Brasil e devem anunciar novos aportes para os próximos quatro ou cinco anos. Durante a viagem, a ApexBrasil inaugura seu escritório em Nova Délhi, o 20º da agência no exterior, reforçando a aposta institucional na relação bilateral.

A conversa entre Lula e Modi, segundo o governo, foi um passo inicial para alinhar expectativas e sinalizar que Brasil e Índia pretendem ampliar a cooperação em áreas-chave, em um momento em que o país busca novos mercados e parceiros estratégicos fora do eixo tradicional.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop