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10 de fevereiro de 2026 - 14h48
JORNADA DE TRABALHO

Indústria alerta para impacto bilionário e risco ao emprego com fim da escala 6x1

Entidades apontam aumento de custos, perda de competitividade e efeitos negativos sobre pequenas empresas

10 fevereiro 2026 - 13h15Eduardo Laguna
ntidades da indústria alertam para aumento de custos e riscos ao emprego com mudanças na jornada de trabalho.
ntidades da indústria alertam para aumento de custos e riscos ao emprego com mudanças na jornada de trabalho. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Entidades representativas da indústria manifestaram, nesta terça-feira (10), preocupação com a proposta que discute o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil. Federações e associações do setor avaliam que a forma como o tema vem sendo debatido pode gerar impactos expressivos sobre os custos das empresas, a competitividade da economia e a manutenção de empregos formais.

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Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou acompanhar o debate com cautela e destacou a necessidade de que eventuais mudanças na jornada de trabalho levem em consideração as especificidades dos diferentes setores produtivos. Para a entidade, a discussão não pode ser conduzida de maneira generalizada, sem diálogo e sem avaliar consequências econômicas mais amplas.

Já a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) citou um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que estima um impacto de R$ 178,8 bilhões nos custos de empregados formais da indústria. O levantamento considera uma eventual redução legal da jornada semanal para 36 horas, no modelo 4x3, sem redução proporcional dos salários.

Segundo o estudo, esse cenário representaria um aumento de 25,1% no custo com pessoal, tomando como base os valores praticados em 2023. A elevação decorre não apenas dos salários, mas também de encargos trabalhistas e benefícios adicionais que acompanham novas contratações.

O levantamento da CNI aponta ainda que, caso as empresas optem por contratar mais trabalhadores para manter o atual nível de produção, haverá aumento das despesas com encargos legais e benefícios como plano de saúde, previdência privada, auxílio-creche, transporte e alimentação. Esses fatores, segundo a entidade, pressionariam ainda mais os custos operacionais da indústria.

Em posicionamento institucional, a CNI defende que qualquer alteração na legislação trabalhista considere a diversidade da estrutura produtiva brasileira. A confederação ressalta a necessidade de avaliar os impactos sobre setores distintos, empresas de diferentes portes, realidades regionais e, principalmente, os efeitos sobre a competitividade e a geração de empregos formais.

A Fiesp informou que mantém diálogo com lideranças sindicais e representantes do setor produtivo sobre o tema da jornada de trabalho. Para a entidade paulista, mudanças devem respeitar a soberania das negociações coletivas, conforme previsto na Constituição Federal.

“O engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores”, afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em comentário divulgado pela federação.

A entidade também alerta para o risco de perda de competitividade e de pressões inflacionárias caso a transição para uma jornada com menos horas de trabalho ocorra sem aumento correspondente de produtividade ou redução do chamado “Custo Brasil”. Na avaliação da Fiesp, esses fatores são decisivos para que mudanças estruturais não provoquem desequilíbrios econômicos.

Outro ponto destacado é o impacto sobre pequenas e médias empresas. Segundo a federação, a proposta pode afetar “severamente” a sustentabilidade desses negócios, com potencial para gerar retração econômica, fechamento de postos formais e avanço da informalidade. Para a entidade, esse cenário contraria o objetivo original da emenda em discussão.

A Abimaq reforçou esse entendimento ao afirmar que a medida representa um risco concreto de prejuízos à economia brasileira e à competitividade do setor produtivo. A associação avalia que o impacto mais sensível recairia sobre o emprego formal, especialmente em segmentos industriais que operam com margens mais estreitas e elevada dependência de mão de obra especializada.

O posicionamento das entidades evidencia que, embora o debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhe espaço, o setor industrial cobra uma análise mais aprofundada dos efeitos econômicos e sociais da proposta antes de qualquer mudança na legislação.

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