
Na contramão dos mercados de Nova York, pressionados por tensões geopolíticas e tarifárias, o Ibovespa renovou recordes históricos nesta terça-feira (20), tanto no intradia quanto no fechamento. O principal índice da Bolsa brasileira encerrou o pregão aos 166.276,90 pontos, com alta de 0,87% e movimentação financeira de R$ 23,5 bilhões.
Ao longo do dia, o índice oscilou entre a mínima de 163.574,67 pontos e a máxima de 166.467,56 pontos, após abrir aos 164.846,22. Com o desempenho, o Ibovespa acumula valorização de 0,90% na semana e eleva os ganhos do mês e do ano para 3,20%.
O avanço ocorre em meio a um movimento global de busca por diversificação fora dos Estados Unidos, impulsionado por incertezas geopolíticas e pelo impasse tarifário entre americanos e europeus. Nesse contexto, mercados emergentes como o Brasil se beneficiam, especialmente pelo diferencial elevado de juros, que sustenta operações de carry trade com a taxa Selic em patamar alto.
No cenário doméstico, fatores políticos também ajudaram a animar os investidores. A expectativa em torno do encontro entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro reacendeu especulações no mercado sobre o xadrez eleitoral de 2026.
“A autorização do ministro Alexandre de Moraes para a visita de Tarcísio a Bolsonaro reacendeu rumores no mercado político. A leitura predominante é a de uma possível chapa presidencial, com Tarcísio como candidato e Michelle Bolsonaro como vice”, avalia Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain. Segundo ele, mesmo sem confirmação, a hipótese foi suficiente para melhorar o humor dos mercados.
Com esse pano de fundo, o Ibovespa superou ainda no início da tarde o antigo recorde intradia de 166.069,84 pontos, registrado em 15 de janeiro, estabelecendo nova máxima cerca de 400 pontos acima da marca anterior.
Em Nova York, o movimento foi oposto. Os principais índices fecharam em forte queda, com recuos de 1,76% no Dow Jones, 2,06% no S&P 500 e 2,39% no Nasdaq.
Na B3, o desempenho positivo foi puxado pelas ações de maior peso. A Petrobras avançou acompanhando a alta superior a 1% do petróleo Brent e WTI, com ganhos de 0,85% nas ações ON e 0,37% nas PN. A Vale, principal peso individual do índice, subiu 1,92%, fechando a R$ 80,08, próxima da máxima do dia.
Entre os bancos, Bradesco PN avançou 1,43% e Santander Unit teve alta de 2,01%, encerrando no maior nível da sessão. Na ponta positiva do Ibovespa, os destaques foram TIM (+4,98%), C&A (+4,34%) e Telefônica Brasil (+3,97%). Já entre as maiores quedas ficaram CSN (-3,04%), Usiminas (-2,99%) e B3 (-2,85%).
Para Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, o movimento reflete uma realocação global de capital. “Há uma fuga de recursos dos Estados Unidos, com venda de Treasuries. Parte desse dinheiro acaba migrando para emergentes como o Brasil”, resume.
O cenário internacional segue marcado por tensões. Em Davos, no Fórum Econômico Mundial, autoridades discutiram o uso de tarifas como instrumento de pressão econômica. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que eventuais retaliações europeias às tarifas americanas levariam a um ciclo de respostas mútuas.
No câmbio, esse ambiente gerou volatilidade. O dólar mostrou força frente a moedas emergentes e encerrou o dia em alta de 0,31%, cotado a R$ 5,3805.

