
Descolado do avanço das bolsas de Nova York, o Ibovespa iniciou a semana em ritmo mais cauteloso, em compasso de espera pelas decisões de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed), previstas para esta quarta-feira. O movimento ocorre após a forte escalada da semana passada, quando o índice renovou sucessivos recordes históricos.
Depois de fechar a terça-feira anterior na marca inédita de 166 mil pontos, o principal índice da B3 chegou a buscar os 180 mil pontos durante o pregão da última sexta-feira. Nesta segunda-feira (26), no entanto, operou de forma mais acomodada, oscilando entre 177.694,22 e 179.543,03 pontos, após abrir aos 178.859,11.
No encerramento do dia, o Ibovespa registrava leve queda de 0,08%, aos 178.720,68 pontos, com giro financeiro robusto de R$ 31,2 bilhões. Ainda assim, no acumulado de janeiro, o índice avança 10,92%.
O relativo equilíbrio do mercado foi sustentado principalmente pela alta das ações da Petrobras, mesmo com o recuo dos preços do petróleo no mercado internacional. Os papéis da estatal encerraram o dia com ganhos de 0,34% (ON) e 0,91% (PN).
O setor financeiro, que chegou a mostrar enfraquecimento ao longo da tarde, conseguiu se recuperar no fechamento. O Itaú liderou os ganhos entre os bancos, com valorização de 1,33% nas ações preferenciais.
Na outra ponta, a Vale, ação de maior peso individual no Ibovespa, caiu 2,29%, acompanhada pelo setor metálico. Apesar do recuo, a mineradora ainda acumula alta de 15,44% em 2026, encerrando o dia cotada a R$ 83,07.
MAIORES ALTAS E QUEDAS
Altas do dia:
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Localiza: +3,59%
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WEG: +3,49%
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Cogna: +3,17%
Baixas do dia:
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MBRF: -3,57%
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Vale: -2,29%
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Cemig: -2,48%
Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, a leve acomodação é natural após a forte alta recente.
“Depois da melhor semana em cerca de seis anos, o Ibovespa flertou com uma realização de lucros, o que é saudável e evita uma percepção de movimento irracional”, afirma.
O foco do mercado agora está nas decisões de política monetária. Além do Fed, o Copom também divulga sua decisão nesta quarta-feira. A expectativa é que o Banco Central sinalize, no comunicado, os próximos passos para a reunião de março, quando parte do mercado espera o início do ciclo de cortes da Selic, atualmente em 15% ao ano.
Para Gabriel Cecco, da Valor Investimentos, a pausa também reflete cautela diante do cenário externo.
“O índice está esticado após uma sequência de recordes e começa a precificar mais risco no curto prazo. Ainda há incerteza geopolítica relevante”, pontua.
Já Nícolas Merola, da EQI Research, destaca uma agenda carregada nos próximos dias.
“Além das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, a temporada de balanços nos EUA ganha força, com divulgação de resultados de gigantes como Meta e Amazon, especialmente atentos aos guidances das empresas de tecnologia e inteligência artificial”, conclui.
