
Em apenas duas semanas, o Ibovespa saiu do patamar histórico de 165 mil pontos para alcançar novos recordes e se firmar acima dos 184 mil. Nesta quarta-feira (28), o principal índice da B3 renovou máximas ao longo do pregão e encerrou o dia em alta de 1,52%, aos 184.691,05 pontos, o maior nível de fechamento já registrado.
A escalada teve início em 14 de janeiro, quando o índice rompeu pela primeira vez a marca dos 165 mil pontos, superando o recorde anterior, de 164 mil, observado no fechamento de 4 de dezembro. Desde então, em 11 sessões, o Ibovespa renovou máximas em oito delas, com avanço acumulado de 19,5 mil pontos, o equivalente a alta de 11,83% no período.
Na sessão desta quarta, o índice partiu de 181.920,63 pontos, que representou o piso do dia, e atingiu máxima intradia de 185.064,76 pontos. O volume financeiro permaneceu elevado, somando R$ 34,1 bilhões. Na semana, o Ibovespa sobe 3,26% e, em janeiro, acumula valorização de 14,63%, desempenho que o coloca a caminho do melhor resultado mensal desde novembro de 2020, quando avançou 15,90%.
No cenário externo, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%, conforme esperado pelo mercado, após três cortes consecutivos no ano passado. A decisão, no entanto, não foi unânime: os diretores Stephen Miran e Christopher Waller votaram por uma redução adicional de 25 pontos-base.
No comunicado, o Fed avaliou que a economia americana segue em expansão em ritmo sólido, observou sinais de estabilização no mercado de trabalho e reconheceu que a inflação permanece em nível ainda elevado. O banco central também reforçou que as próximas decisões dependerão da evolução dos dados econômicos, em um ambiente de incerteza persistente.
Para Luis Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management, o principal destaque da decisão foi justamente a dissidência no comitê. Ele chama atenção para o voto de Christopher Waller, frequentemente citado como possível sucessor de Jerome Powell na presidência do Fed, e que vinha defendendo cautela nos cortes de juros. Segundo Ferreira, o comunicado também trouxe ajustes relevantes na avaliação da economia, com tom mais favorável em relação à atividade e ao mercado de trabalho.
Após a decisão, a curva de juros americana passou a precificar que o próximo corte, de 25 pontos-base, deve ocorrer apenas em julho, no verão do hemisfério norte. Em Nova York, os índices fecharam perto da estabilidade: Dow Jones avançou 0,02%, S&P 500 recuou 0,01% e Nasdaq subiu 0,17%.
Mesmo com o sinal misto em Wall Street, o Ibovespa ganhou força ao longo da tarde e se manteve acima dos 183 mil pontos, encerrando o dia, pela primeira vez, na faixa dos 184 mil. O movimento contou com apoio das ações de bancos e de grandes exportadoras. Banco do Brasil avançou 2,88%, Santander subiu 2,32% e Itaú teve alta de 2,25%. Bradesco também se recuperou no fim do pregão. Petrobras registrou ganhos de 2,90% nas ações ordinárias e de 3,35% nas preferenciais, enquanto Vale subiu 2,44%.
Entre as maiores altas do dia estiveram Raízen (+20,00%), C&A (+8,60%) e Usiminas (+6,57%). Na outra ponta, Embraer caiu 3,53%, CPFL recuou 2,84% e MBRF teve baixa de 2,51%.
Com o Fed no radar, o foco dos investidores no Brasil agora se volta para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), esperada para esta noite, e principalmente para o teor do comunicado, que pode trazer sinais sobre os próximos passos da política de juros no país.
