
O Ibovespa viveu mais um dia histórico nesta sexta-feira (23) ao acelerar de forma contundente no fim do pregão e renovar sucessivamente seus recordes. O principal índice da Bolsa brasileira saiu praticamente da mínima do dia, aos 175.590 pontos na abertura, para alcançar a marca inédita dos 180 mil pontos durante a reta final das negociações, em um movimento que consolidou a quarta sessão consecutiva de máximas históricas.
O avanço mais forte ocorreu nos últimos minutos do pregão. Por volta das 17h13, o Ibovespa ainda operava na casa dos 178 mil pontos, mas saltou rapidamente para 179 mil e, na sequência, ultrapassou os 180 mil, atingindo o novo recorde intradia de 180.532,28 pontos às 17h22. No ajuste de fechamento, o índice reduziu parte dos ganhos e encerrou o dia em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos.
O volume financeiro negociado permaneceu elevado, totalizando R$ 36 bilhões. Embora abaixo dos R$ 44 bilhões e R$ 53 bilhões registrados nas duas sessões anteriores, o giro segue acima da média histórica da B3, em patamares normalmente observados apenas em dias de vencimento de opções sobre o índice.
Na semana, o Ibovespa acumulou valorização de 8,53%, o melhor desempenho semanal desde abril de 2020, quando avançou 11,71% em meio à recuperação pós-choque da pandemia. No acumulado de janeiro, que se encerra apenas na próxima semana, o índice já sobe 11,01%, caminhando para o melhor resultado mensal desde novembro de 2023, quando teve alta de 12,54%.
Desde o fechamento da última terça-feira, aos 166.276,90 pontos, o índice avançou cerca de 12,5 mil pontos sem registrar uma única sessão de queda, em uma sequência que evidencia a força compradora no mercado doméstico.
O desempenho da Bolsa brasileira destoou novamente dos mercados americanos. Em Nova York, os principais índices tiveram variações modestas, com o Dow Jones em queda de 0,58% e o Nasdaq em alta de 0,28%. A diferença reforça a leitura de que há uma rotação global de recursos, saindo dos Estados Unidos em direção a mercados emergentes, especialmente aqueles ligados a commodities, como o Brasil.
Na avaliação de Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença, o movimento segue praticamente sem resistência. “Contra fluxo não há resistência”, afirmou, ao comentar a forte arrancada do índice no fim do dia. Segundo ele, operações realizadas por investidores estrangeiros no EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, contribuíram diretamente para a aceleração do Ibovespa na reta final do pregão.
Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital, avalia que o movimento reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. “A alta do petróleo, estimulada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Irã e pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, favorece diretamente as ações do setor de energia na B3”, explicou.
Além disso, Iarussi destaca que, mesmo após a forte valorização recente, os múltiplos da Bolsa brasileira ainda são vistos como atrativos, especialmente quando comparados aos mercados desenvolvidos. A alta do minério de ferro na Ásia também contribuiu para o bom desempenho de empresas do setor metálico.
As altas desta sexta-feira foram amplas e bem distribuídas entre os papéis de maior peso do índice. A Petrobras PN, ação mais líquida da estatal, chegou a subir mais de 5% durante o pregão e fechou com ganho de 4,35%, a R$ 35,04, impulsionada pela valorização de cerca de 3% do petróleo nos mercados internacionais. Na semana, o papel acumulou alta de 9,36% e, no mês, já sobe 13,69%.
A Petrobras ON avançou 3,97%, enquanto a Vale ON, principal ação do Ibovespa, subiu 2,46%, acompanhando o movimento do minério de ferro. Entre os grandes bancos, os ganhos variaram de 1,14% no Itaú PN a 3,54% no Banco do Brasil ON.
Na ponta positiva do índice, Braskem liderou com alta de 10,66%, seguida por CSN, que subiu 6,29%, e Prio, com avanço de 4,91%. No lado negativo, poucas ações destoaram: Vivara caiu 5,06%, Pão de Açúcar recuou 2,31% e Caixa Seguridade perdeu 1,90%.
Apesar da forte escalada recente, o mercado mantém uma leitura majoritariamente otimista para a próxima semana. No Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira, a parcela de profissionais que esperam nova alta do Ibovespa subiu de 55,56% para 63,64%. As projeções de queda recuaram de 33,33% para apenas 9,09%, enquanto as apostas em estabilidade avançaram para 27,27%.

