
O Ibovespa passou por uma correção mais intensa no encerramento de janeiro, após uma sequência de recordes que levou o principal índice da B3 a operar, no melhor momento do mês, cerca de 25 mil pontos acima do patamar de fechamento de 2025, então em torno dos 161 mil pontos. Apesar das quedas nas duas últimas sessões do período, a Bolsa brasileira terminou o primeiro mês de 2026 com alta expressiva de 12,56%.
O desempenho mensal superou levemente o avanço registrado em novembro de 2023, de 12,54%, e marcou o melhor resultado desde novembro de 2020, quando o índice subiu 15,90%. Ainda assim, a realização de lucros ganhou força ao longo da tarde desta sexta-feira (30), levando o Ibovespa à mínima de 180.088,53 pontos, com queda de 1,66%, quase 3,6 mil pontos abaixo da máxima do dia, que havia alcançado 183.620,36 pontos.
No fechamento, o índice recuou 0,97%, aos 181.363,90 pontos. Mais cedo, ainda no início da tarde, o ganho acumulado em janeiro chegava a 14%. Em 12 meses, a valorização do Ibovespa alcança 42,90%.
O movimento de correção ocorreu em meio a um dólar mais pressionado no mercado doméstico, reforçando a leitura de que investidores realizaram parte dos lucros após o forte ingresso de capital estrangeiro ao longo do mês. Esse fluxo externo foi apontado como o principal fator por trás da rápida escalada do índice em janeiro.
O volume financeiro negociado nesta sexta-feira foi elevado, somando R$ 33,9 bilhões, com predominância de ordens de venda. Na semana, o Ibovespa ainda acumulou alta de 1,40%, após ganhos de 8,53% na semana anterior e de 0,88% duas semanas antes.
Em dólar, o desempenho do índice também foi relevante. Ao fim de dezembro, o Ibovespa equivalia a 29.354,16 pontos. Nesta sexta-feira, chegou a 34.561,30 pontos, refletindo também a desvalorização acumulada de 4,40% do dólar frente ao real em janeiro. Mesmo com essa disparada, o índice ainda permanece distante do pico histórico em moeda americana, registrado em julho de 2008, quando se aproximou dos 45 mil pontos, com o dólar ao redor de R$ 2,20.
Na composição do índice, as ações da Petrobras conseguiram amenizar a queda geral após virada positiva acompanhando a recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional. As ações ordinárias da estatal subiram 0,22% e as preferenciais avançaram 0,16% no fechamento. No acumulado de janeiro, os papéis da Petrobras registraram altas expressivas: 24,01% nas ON e 22,52% nas PN.
Já a Vale, ação de maior peso no Ibovespa, caiu 3,54% na sessão, puxando o índice para baixo. Ainda assim, a mineradora preserva ganho de 17,18% no ano, após desempenho forte ao longo do mês.
Entre os bancos, as perdas do dia variaram entre 0,54% nas ações ordinárias do Bradesco e 1,71% nas units do Santander. No mês, o destaque ficou novamente com o Bradesco ON, que acumulou alta de 17,51%.
Na ponta positiva do pregão, as maiores altas foram registradas por Vivara (+3,11%), Yduqs (+2,44%) e Pão de Açúcar (+1,86%). Do lado negativo, Usiminas caiu 4,98%, CSN recuou 4,28% e CSN Mineração perdeu 3,92%.
Com o encerramento de um janeiro considerado excepcional para a Bolsa, o mercado passou a adotar um tom mais cauteloso para a próxima semana. No Termômetro Broadcast Bolsa divulgado nesta sexta-feira, a parcela de profissionais que espera alta do Ibovespa caiu de 63,64% para 45,45%. As projeções de queda subiram de 9,09% para 18,18%, enquanto as apostas em estabilidade avançaram de 27,27% para 36,36%.
Para Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, o desempenho do Ibovespa em janeiro se destacou no cenário global, ao lado da Bolsa de Seul. Ele chama atenção para o volume de recursos estrangeiros, que no mês se aproximou de todo o fluxo registrado ao longo do ano anterior na B3. Moreira também destacou a criação de 26 milhões de cotas do EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, como sinal do apetite internacional por ativos do país.
Bruna Centeno, economista e advisor da Blue3 Investimentos, avaliou que Vale e, em menor grau, Petrobras tiveram peso relevante na sessão negativa, mas ressaltou que o índice conseguiu se manter acima dos 180 mil pontos após um mês de sucessivos recordes e forte entrada de capital externo.
Já Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, observou que, apesar das oportunidades ainda oferecidas pela renda fixa com a Selic em 15% ao ano, o desempenho da Bolsa segue chamando atenção. “O Ibovespa avançou 34% em 2025 e já sobe mais de 10% em 2026, com o ano ainda no início”, afirmou.

