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02 de janeiro de 2026 - 20h45
ECONOMIA

Ibovespa inicia 2026 em queda após China impor cota à carne brasileira

Ações de frigoríficos puxam baixa do índice, que recua 0,36%, apesar de alta da Vale

2 janeiro 2026 - 19h00Luís Eduardo Leal
Ibovespa inicia 2026 em queda após China impor cota à carne brasileira.
Ibovespa inicia 2026 em queda após China impor cota à carne brasileira. - ( Foto: Adobe Stock)

Depois de acumular valorização de 34% ao longo de 2025, o maior desempenho anual desde 2016, o Ibovespa iniciou o novo ano em ritmo de acomodação. Na sessão desta sexta-feira (2), o principal índice da Bolsa brasileira fechou em queda de 0,36%, aos 160.538,69 pontos, pressionado principalmente pelas ações de frigoríficos, após a China anunciar a imposição de cotas para a importação de carne bovina.

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Durante o pregão, o Ibovespa oscilou entre 160.059,14 pontos, na mínima, e 161.956,56 pontos, na máxima do dia, após abrir aos 161.124,36 pontos. O volume financeiro movimentado somou R$ 24 bilhões, considerado elevado para a primeira sessão do ano, encurtada pelo feriado de Ano Novo e pelo fim de semana.

A maior pressão negativa veio do setor de proteínas. Minerva, empresa com maior exposição ao mercado chinês, liderou as perdas do índice, com recuo de 6,77%. Também figuraram entre os destaques negativos Cyrela (-3,77%), Direcional (-3,47%) e Natura (-3,36%).

Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o movimento reflete a reação do mercado à decisão chinesa de estabelecer uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a carne brasileira. “O Brasil já havia exportado até novembro cerca de 1,5 milhão de toneladas, o que torna a notícia negativa, especialmente pelo peso da China como principal parceiro comercial”, avaliou.

Cruz ressalta que a pressão mais intensa sobre a Minerva ocorre porque a companhia é a maior exportadora de proteína animal para o mercado chinês. Apesar disso, ele pondera que parte da produção pode ser redirecionada para outros mercados, inclusive emergentes. O governo brasileiro também indicou que cargas já embarcadas não devem ser afetadas pelas cotas.

Além dos frigoríficos, ações de peso também contribuíram para o desempenho negativo do índice. Petrobras recuou 0,83% nas ações ordinárias e 0,36% nas preferenciais. No setor financeiro, de maior peso no Ibovespa, o desempenho foi misto, com Banco do Brasil ON (-1,09%) e Bradesco ON (+0,26%).

Na outra ponta, a Vale ON, principal ação do índice, fechou em alta de 0,58%, ajudando a limitar a queda do Ibovespa. Também se destacaram entre os ganhos Pão de Açúcar (+4,21%), SLC Agrícola (+3,67%) e CVC (+1,85%).

Outro tema acompanhado de perto pelos investidores nesta abertura de ano são os desdobramentos do caso Banco Master. A inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) em documentos do Banco Central relacionados à liquidação da instituição gerou desconforto no mercado financeiro.

Embora o movimento seja classificado como técnico, há receio entre bancos de uma eventual suspensão da liquidação, considerada justificada pelo regulador diante da situação de insolvência do banco controlado por Daniel Vorcaro. Ao menos sete federações e associações do setor financeiro já manifestaram apoio público à decisão do Banco Central.

Na avaliação de agentes do mercado, a possibilidade de interferência de órgãos como o TCU ou o Supremo Tribunal Federal (STF) em atribuições regulatórias do BC aumenta a percepção de risco institucional.

Apesar do início de ano em baixa, analistas mantêm visão construtiva para o médio prazo. Para Guilherme Falcão, sócio da One Investimentos, a expectativa para 2026 segue positiva, com a perspectiva de queda dos juros em um ano eleitoral e possível retorno do fluxo estrangeiro para a B3.

“A Bolsa conseguiu segurar o patamar de 160 mil pontos, com desempenho misto entre os principais ativos. O impacto negativo ficou concentrado nos frigoríficos, enquanto outros setores seguem no radar”, afirmou.

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