
Desde o ano passado, rumores sobre dificuldades envolvendo o Banco Master já circulavam nos bastidores do mercado financeiro, segundo afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em entrevista ao portal Metrópoles, o chefe da pasta explicou que, à época, não havia qualquer sinal de crime ou fraude, apenas a percepção de que se tratava de um negócio que poderia não prosperar.
De acordo com Haddad, os comentários que chegavam ao governo tinham caráter informal e não apresentavam elementos concretos que justificassem medidas mais duras. “Tinha muito rumor de que as coisas não estavam andando bem, mas era um ‘disse-me-disse’”, afirmou. Para o ministro, o cenário indicava apenas um empreendimento mal estruturado, sem evidências de irregularidades legais.
Haddad também comentou o perfil dos empresários envolvidos. Segundo ele, trata-se de pessoas com grande poder de persuasão. “Essas pessoas são muito sedutoras”, disse, ao explicar como determinados grupos conseguem manter relações próximas com diferentes setores, inclusive políticos e empresariais.
Questionado sobre um encontro ocorrido em 2024 entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banqueiro Daniel Vorcaro, no Palácio do Planalto, Haddad afirmou que não tinha conhecimento prévio sobre o empresário e negou qualquer relação pessoal com ele ou com integrantes de sua família.
“Eu não conheço essa pessoa. Até outro dia, eu não saberia se ele estava no ambiente ou não, porque não tinha visto sequer foto dele. Não conheço essa pessoa, nem ele nem ninguém da família dele, nem primo, nada”, declarou o ministro.
Haddad reforçou que nunca recebeu Vorcaro em audiência. Segundo ele, a cautela foi uma escolha pessoal, embora não houvesse elementos suficientes que justificassem a recusa formal de um encontro. “Eu quis me preservar, mas eu não tinha elementos para negar uma audiência. Eu me encontro com muito empresário”, pontuou.
Durante a entrevista, o ministro da Fazenda trouxe à tona a participação da família Vorcaro no financiamento de campanhas eleitorais. Segundo Haddad, o grupo teria sido o maior financiador das campanhas políticas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ele destacou especificamente o cunhado de Daniel Vorcaro, Fabianol Vettel, apontado como o maior doador pessoa física das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio nas eleições de 2022. Para Haddad, esse dado é relevante para orientar eventuais investigações, mas ressaltou a necessidade de rigor técnico e responsabilidade nas apurações.
“Isso é importante porque vai orientar investigações, mas as apurações sobre ligações de pessoas com o Master e com Vorcaro têm que ser sérias”, afirmou.
Haddad também comentou o papel da Polícia Federal nas investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo ele, a PF deve investigar diferentes “braços” da instituição financeira, sem interferências externas ou direcionamentos políticos.
“Eu não sei onde vai chegar, em quem vai chegar, o importante é chegar”, declarou. O ministro defendeu que a atuação policial ocorra sem restrições e sem viés partidário. “O importante é que a polícia não tenha trava para fazer o trabalho dela, sem politização, sem caça às bruxas, sem querer carimbar agremiações partidárias”, disse.
Ao abordar o tema, Haddad frisou que irregularidades não podem ser generalizadas a partidos políticos. “Tem gente no PL que é decente, tem gente que pode não ser, e assim vale para todos”, concluiu.

