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01 de fevereiro de 2026 - 17h16
ECONOMIA

Haddad indica Guilherme Mello para diretoria do Banco Central em meio a debate sobre juros

Secretário de Política Econômica é nome de confiança do governo Lula e crítico da Selic em patamar elevado

1 fevereiro 2026 - 16h00Luiz Vassallo
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, indicou Guilherme Mello para uma das diretorias vagas do Banco Central.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, indicou Guilherme Mello para uma das diretorias vagas do Banco Central. - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para uma das diretorias do Banco Central que estão vagas desde 2025. O nome foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem cabe formalizar a indicação ao cargo.

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A informação foi confirmada ao Estadão por fontes próximas a Haddad e a Mello. Procurados, nem o Ministério da Fazenda nem o secretário se manifestaram até a publicação desta matéria.

Caso o presidente avance com a indicação, o economista ainda precisará passar por sabatina no Senado Federal, etapa obrigatória para a nomeação de diretores do Banco Central. Após a aprovação, Mello passaria a integrar o colegiado responsável pelas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), que define a taxa básica de juros da economia.

A possível escolha ocorre em um momento sensível da política monetária. Na última reunião, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, decisão que tem sido alvo de críticas dentro do governo. A indicação de um economista ligado ao núcleo de confiança do PT é vista como um movimento político relevante no debate sobre os rumos dos juros no país.

Guilherme Mello participou da elaboração do plano econômico da campanha de Lula em 2022, em parceria com a Fundação Perseu Abramo, entidade vinculada ao partido. O documento defendia uma postura mais crítica em relação à política de juros adotada pelo Banco Central naquele período.

Após a vitória eleitoral, Mello foi anunciado por Haddad ainda durante a transição de governo para comandar a Secretaria de Política Econômica. Desde então, manteve posicionamento público contrário ao nível elevado da Selic, inclusive em eventos oficiais.

“É evidente que o nível de juros, da taxa de juros básica no Brasil, é restritivo e elevado e inibe não só a captação da caderneta de poupança como a própria concessão de crédito em diferentes modalidades, e dificulta o mercado de crédito imobiliário”, afirmou durante o evento CNN Talks, voltado ao debate sobre crédito no país.

Com formação acadêmica ligada ao pensamento desenvolvimentista, Mello é mestre em Economia Política pela PUC de São Paulo e doutor em Ciência Econômica pela Unicamp, onde atua como professor e coordena o programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico.

Entre suas áreas de estudo estão temas como políticas monetárias não convencionais e análise crítica do sistema financeiro. É autor de trabalhos acadêmicos como A pós-grande indústria capitalista e a questão do valor: uma abordagem marxista, no mestrado, e Os derivativos e a crise do subprime: o capitalismo em sua quarta dimensão, no doutorado.

Caso confirmado no Banco Central, Guilherme Mello passará a integrar um dos principais núcleos de decisão da política econômica do país, em um contexto de forte discussão sobre crescimento, crédito e o papel dos juros na atividade econômica.

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