
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que o Banco Central atua como um órgão técnico e toma decisões em um ambiente de forte pressão de diferentes agentes econômicos. A declaração foi feita durante entrevista à Rádio BandNews, na qual o ministro comentou a condução da política monetária e episódios recentes envolvendo a autoridade monetária, como a liquidação do Banco Master.
Segundo Haddad, o Banco Central enfrenta pressões constantes, tanto legítimas quanto ilegítimas, o que torna o processo decisório especialmente sensível. “O Banco Central é um órgão técnico e dificilmente ele vai deixar de ser porque as pressões sobre o BC, legítimas e ilegítimas, se fazem presentes o tempo todo e a condução da política monetária se dá nesse cenário de muita pressão”, afirmou. Em seguida, resumiu o ambiente: “É sempre muito tenso”.
Durante a entrevista, o ministro também comentou a repercussão em torno do vazamento de uma eventual indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central. Haddad disse ter estranhado o que classificou como uma “reação orquestrada” ao nome cogitado. Ele lembrou que a decisão sobre indicações cabe exclusivamente ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não definiu os nomes.
Haddad evitou aprofundar o debate sobre futuras indicações ao Banco Central, reforçando que não pretende transformar o tema em foco político. Ainda assim, recordou que sua nomeação para o Ministério da Fazenda e a escolha de Gabriel Galípolo para a presidência do BC também foram alvo de críticas vindas do mercado financeiro, especialmente da região da Faria Lima, em São Paulo.
Ao abordar a política monetária, o ministro destacou que há divergências sobre o atual patamar da taxa básica de juros. De acordo com Haddad, parte da academia, do mercado e do próprio governo considera a Selic excessivamente restritiva, enquanto outros avaliam que o nível é adequado ao cenário econômico. Para ele, o debate é legítimo e faz parte do processo democrático. “Do mesmo jeito que o mercado pode pedir aumento de juros, a sociedade pode argumentar que o remédio está amargo demais”, disse.
Haddad afirmou ainda que há uma percepção crescente de que o Banco Central busca agir da melhor forma possível dentro de seu mandato legal. Segundo o ministro, não existe contestação relevante quanto à intenção da autoridade monetária, mas sim discussões sobre os caminhos adotados para atingir os objetivos de controle da inflação.
O ministro voltou a defender a necessidade de alinhamento entre política fiscal e política monetária, destacando que as duas áreas devem caminhar de forma coordenada para garantir estabilidade econômica. Nesse contexto, ele reiterou que o nível atual da Selic, em 15%, não está diretamente ligado ao déficit primário.
Haddad lembrou que o déficit teve uma redução de cerca de 70% nos últimos dois anos, argumento usado para sustentar que a política fiscal vem apresentando melhora. Para o ministro, esse dado precisa ser considerado no debate sobre juros, evitando análises simplificadas que atribuem a taxa elevada apenas à situação das contas públicas.

