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03 de fevereiro de 2026 - 14h34
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ECONOMIA

Haddad diz que Banco Central atua sob pressão e defende caráter técnico da instituição

Ministro afirma que política monetária é conduzida em ambiente tenso e critica reação a possível indicação ao BC

3 fevereiro 2026 - 13h40Renan Monteiro e Mateus Maia
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad afirma que decisões do Banco Central são tomadas sob forte pressão de agentes econômicos.
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad afirma que decisões do Banco Central são tomadas sob forte pressão de agentes econômicos. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que o Banco Central atua como um órgão técnico e toma decisões em um ambiente de forte pressão de diferentes agentes econômicos. A declaração foi feita durante entrevista à Rádio BandNews, na qual o ministro comentou a condução da política monetária e episódios recentes envolvendo a autoridade monetária, como a liquidação do Banco Master.

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Segundo Haddad, o Banco Central enfrenta pressões constantes, tanto legítimas quanto ilegítimas, o que torna o processo decisório especialmente sensível. “O Banco Central é um órgão técnico e dificilmente ele vai deixar de ser porque as pressões sobre o BC, legítimas e ilegítimas, se fazem presentes o tempo todo e a condução da política monetária se dá nesse cenário de muita pressão”, afirmou. Em seguida, resumiu o ambiente: “É sempre muito tenso”.

Durante a entrevista, o ministro também comentou a repercussão em torno do vazamento de uma eventual indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central. Haddad disse ter estranhado o que classificou como uma “reação orquestrada” ao nome cogitado. Ele lembrou que a decisão sobre indicações cabe exclusivamente ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não definiu os nomes.

Haddad evitou aprofundar o debate sobre futuras indicações ao Banco Central, reforçando que não pretende transformar o tema em foco político. Ainda assim, recordou que sua nomeação para o Ministério da Fazenda e a escolha de Gabriel Galípolo para a presidência do BC também foram alvo de críticas vindas do mercado financeiro, especialmente da região da Faria Lima, em São Paulo.

Ao abordar a política monetária, o ministro destacou que há divergências sobre o atual patamar da taxa básica de juros. De acordo com Haddad, parte da academia, do mercado e do próprio governo considera a Selic excessivamente restritiva, enquanto outros avaliam que o nível é adequado ao cenário econômico. Para ele, o debate é legítimo e faz parte do processo democrático. “Do mesmo jeito que o mercado pode pedir aumento de juros, a sociedade pode argumentar que o remédio está amargo demais”, disse.

Haddad afirmou ainda que há uma percepção crescente de que o Banco Central busca agir da melhor forma possível dentro de seu mandato legal. Segundo o ministro, não existe contestação relevante quanto à intenção da autoridade monetária, mas sim discussões sobre os caminhos adotados para atingir os objetivos de controle da inflação.

O ministro voltou a defender a necessidade de alinhamento entre política fiscal e política monetária, destacando que as duas áreas devem caminhar de forma coordenada para garantir estabilidade econômica. Nesse contexto, ele reiterou que o nível atual da Selic, em 15%, não está diretamente ligado ao déficit primário.

Haddad lembrou que o déficit teve uma redução de cerca de 70% nos últimos dois anos, argumento usado para sustentar que a política fiscal vem apresentando melhora. Para o ministro, esse dado precisa ser considerado no debate sobre juros, evitando análises simplificadas que atribuem a taxa elevada apenas à situação das contas públicas.

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