
No último dia 12 de fevereiro, empresários, gestores e profissionais de Mato Grosso do Sul se reuniram no GPS de Mercado 2026, encontro que trouxe para Campo Grande os principais aprendizados da NRF 2026, maior evento de varejo do mundo, realizado em janeiro, em Nova York. A missão técnica internacional foi promovida pelo Sistema Fecomércio MS, Senac MS e Sebrae/MS.
O objetivo não era apenas contar como foi a feira nos Estados Unidos. Era traduzir o que se viu lá para a realidade de quem vende roupa em Dourados, administra um mercado em Três Lagoas ou gere uma rede de serviços na Capital.
O presidente do Sistema Comércio MS e conselheiro do Sebrae/MS, Edison Araújo, definiu o encontro como um movimento de compartilhamento estratégico.
“Estamos aqui para apresentar aos empresários o que foi a NRF e compartilhar os aprendizados dessa missão internacional que levou representantes de Mato Grosso do Sul ao maior evento de varejo do mundo, em Nova York. Foi uma oportunidade única para os participantes vivenciarem as principais tendências globais do setor e, agora, trazerem esse conhecimento para os nossos empreendedores. Espero que todos que estão aqui possam absorver esses insights, porque o que foi discutido lá certamente impactará o presente e o futuro do varejo.”
O varejo deixou de ser balcão - Entre os conceitos debatidos, um chamou atenção pela naturalidade com que foi tratado: agent commerce. O comércio mediado por agentes de inteligência artificial já não é promessa futurista. É prática em expansão.
Segundo o palestrante Caio Camargo, o consumidor mudou de comportamento.
“Um dos principais insights da NRF é o avanço do chamado ‘agent commerce’, ou comércio mediado por agentes de inteligência artificial. Isso deve transformar profundamente a forma como as marcas se relacionam com o consumidor, especialmente nos ambientes digitais. As pessoas já não querem mais navegar por inúmeras páginas ou comparar produtos sozinhas, elas querem respostas rápidas, personalizadas e assertivas.”
Na prática, isso significa que a decisão de compra passa a ser influenciada por sistemas inteligentes que filtram, recomendam e escolhem com base em dados. Para as empresas, isso exige organização interna, banco de dados estruturado e estratégia digital clara.
A inteligência artificial apareceu no evento menos como ferramenta de moda e mais como infraestrutura básica. Sem dados organizados, disseram os especialistas, nenhuma estratégia sobrevive.
Pequenos negócios, mercado global - A diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, destacou que democratizar esse tipo de informação é parte central da estratégia de competitividade.
“As tendências apresentadas permitem que empresários que não têm a oportunidade de participar de grandes eventos tenham acesso a informações estratégicas. Hoje, as fronteiras praticamente não existem mais. Uma empresa de Mato Grosso do Sul pode vender para o mundo inteiro. Por isso, acompanhar tendências e buscar conhecimento de mercado é fundamental.”
A fala sintetiza um cenário já consolidado: o varejo local não concorre apenas com o comércio da esquina, mas com plataformas globais.
Networking como estratégia - A mediação ficou a cargo de Dijan de Barros, empreendedor que criou o Café com Negócios em 2017 após participar do Empretec, do Sebrae. Para ele, a maior entrega da NRF talvez não esteja nos palcos, mas nas conexões.
“A NRF reúne uma quantidade enorme de conhecimento, e é impossível trazer tudo. O GPS cumpre esse papel de compilar os principais insights e adaptá-los à nossa realidade sul-mato-grossense.”
Ele reforçou que o aprendizado se consolida quando há troca entre empresários. Networking, nesse contexto, deixa de ser cartão de visita e vira ativo estratégico.
Loja física ainda importa - Se a tecnologia ganhou protagonismo, o ponto de venda físico não foi descartado. Pelo contrário. A experiência presencial apareceu como diferencial competitivo.
Ambiente, curadoria, autenticidade e propósito são fatores cada vez mais determinantes na construção de marcas relevantes. O varejo físico, segundo os especialistas, não compete com o digital. Ele precisa dialogar com ele.
A marca passa a ser vista como um ecossistema integrado. Diferentes canais, diferentes serviços, uma única experiência centrada no consumidor.
Tendência como decisão prática - O GPS de Mercado 2026 não terminou com previsões futuristas. Terminou com um recado pragmático: quem não organiza dados, não personaliza experiência. Quem não investe em estratégia, reage tarde.
Em um cenário onde a tecnologia redefine o consumo, empresários sul-mato-grossenses foram convidados a pensar além da vitrine. Porque, como ficou claro no encontro, o varejo de hoje não é apenas sobre vender. É sobre entender antes, decidir melhor e agir mais rápido.
E isso começa muito antes da porta da loja abrir.

