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MINERAÇÃO

Governo inicia elaboração de estratégia nacional para terras raras no Brasil

Plano do MME prevê diretrizes para desenvolver cadeia produtiva alinhada à indústria e à transição energética

22 janeiro 2026 - 14h25Renan Monteiro
Governo federal inicia estudos para estruturar estratégia nacional voltada ao desenvolvimento da cadeia de terras raras.
Governo federal inicia estudos para estruturar estratégia nacional voltada ao desenvolvimento da cadeia de terras raras. - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério de Minas e Energia (MME) deu início aos trabalhos para a construção da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), iniciativa que pretende estabelecer diretrizes, metas e instrumentos voltados ao desenvolvimento da cadeia produtiva desse insumo estratégico no Brasil. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22) e marca os primeiros passos formais do governo federal para organizar o setor.

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A proposta da ENTR é alinhar a exploração e o aproveitamento das terras raras às políticas industrial, ambiental e de transição energética, áreas consideradas prioritárias pelo governo. Esses minerais são essenciais para tecnologias ligadas à energia limpa, à indústria de alta tecnologia e à defesa, o que tem ampliado o interesse internacional pelo tema.

A chamada reunião de “kick-off” do projeto foi realizada nesta semana e reuniu, além do MME, representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e consultores especializados. O encontro marcou o início da fase de planejamento e organização dos estudos que vão embasar a estratégia nacional.

Segundo comunicado do Ministério de Minas e Energia, a próxima etapa envolve a elaboração de diagnósticos detalhados sobre as oportunidades de desenvolvimento da cadeia de valor das terras raras no país. Também estão previstas análises voltadas à sustentabilidade da atividade, além da apresentação de propostas de governança e de mecanismos de monitoramento.

A intenção do governo é mapear gargalos, potencial produtivo e caminhos para atrair investimentos, ao mesmo tempo em que busca reduzir impactos ambientais e garantir maior previsibilidade regulatória ao setor.

O Brasil possuiцый relevantes reservas minerais, mas ainda enfrenta desafios para transformar esse potencial em produção industrial estruturada, especialmente em segmentos considerados estratégicos no cenário global.

No campo regulatório, o governo federal tem adotado, até o momento, medidas pela via infralegal para organizar o setor minerário, enquanto o Congresso Nacional discute a elaboração de uma lei específica voltada ao mercado de terras raras.

Essa dualidade reflete a tentativa de avançar com políticas públicas de curto prazo, sem perder de vista a necessidade de um marco legal mais amplo, capaz de dar segurança jurídica a projetos de longo prazo.

A discussão sobre o tema ganhou força no âmbito do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM). Na primeira reunião do colegiado, realizada em outubro de 2025, foram debatidas diferentes resoluções para o setor, incluindo a criação de um grupo de trabalho para tratar de taxas de fiscalização e encargos setoriais.

Outro grupo também foi instituído com foco no financiamento de projetos minerais, sinalizando uma preocupação do governo em ampliar o acesso a recursos e estimular novos empreendimentos no segmento.

O avanço da Estratégia Nacional de Terras Raras ocorre em um contexto de crescente disputa internacional por esses minerais, considerados essenciais para a produção de baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos e equipamentos eletrônicos de alta performance.

Ao estruturar uma política específica para o setor, o governo busca posicionar o Brasil de forma mais competitiva nesse mercado, agregando valor à produção mineral e reduzindo a dependência externa de tecnologias associadas à transição energética.

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