
O uso da inteligência artificial no consumo ainda avança de forma desigual no Brasil, mas já influencia diretamente o comportamento de parte dos consumidores. Pesquisa da Nexus aponta que a geração Z, formada por pessoas entre 18 e 30 anos, é o grupo que mais utiliza ferramentas de IA para realizar compras no país.
Segundo o levantamento, 37% dos brasileiros já fizeram ao menos uma compra influenciada por plataformas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini, Grok ou Meta AI. Apesar disso, o uso ainda não é maioria: 61% afirmaram nunca ter recorrido à tecnologia para comprar produtos ou serviços.
O recorte etário evidencia diferenças marcantes. Enquanto 46% dos jovens da geração Z dizem usar IA no processo de compra, entre pessoas com mais de 60 anos, 78% nunca utilizaram esse tipo de ferramenta. A resistência também é maior no Nordeste e entre pessoas com menor nível de escolaridade. Já o uso é mais frequente no Sudeste e entre brasileiros com maior grau de instrução.
A pesquisa ouviu 2.012 pessoas com 18 anos ou mais, em todas as 27 unidades da Federação, entre os dias 26 de agosto e 1º de setembro, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O estudo também investigou a percepção sobre influenciadores digitais criados por inteligência artificial. Segundo os dados, 73% dos brasileiros já ouviram falar desse tipo de perfil, mas apenas 6% afirmam confiar neles. A confiança é maior em influenciadores humanos, com 36%, enquanto 39% dizem não confiar em nenhum dos dois formatos.
Entre aqueles que conhecem influenciadores gerados por IA, 42% afirmaram já ter sido influenciados por eles em alguma decisão de compra, o que indica impacto relevante, apesar da desconfiança.
Além do consumo, a inteligência artificial é usada pelos brasileiros para outras finalidades. 48% recorrem à tecnologia para buscar informações gerais, 45% para estudar ou aprender algo novo, 41% para criar conteúdos e 39% para lazer e entretenimento.
Os dados indicam que, embora ainda exista resistência, especialmente entre faixas etárias mais altas, a IA já ocupa espaço crescente no cotidiano digital e nas decisões de consumo, principalmente entre os mais jovens.

