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ECONOMIA

Galípolo agradece apoio de Lula e Haddad em meio à crise do caso Master

Presidente do BC liga para Lula e Haddad enquanto TCU investiga liquidação do Banco Master e governo teme efeitos no mercado em ano eleitoral

9 janeiro 2026 - 14h55Célia Froufe
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, liga para Lula e Haddad para agradecer apoio em meio à investigação do TCU sobre o caso Master.
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, liga para Lula e Haddad para agradecer apoio em meio à investigação do TCU sobre o caso Master. - Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para agradecer pessoalmente o apoio dos dois em meio à pressão em torno do caso Master. A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo BC virou alvo de investigação no Tribunal de Contas da União (TCU) e preocupa o governo pelo potencial de gerar instabilidade no sistema financeiro justamente na largada do ano eleitoral.

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Segundo apurado pela reportagem, mesmo em férias, Haddad acompanha de perto os desdobramentos do caso. Na quarta-feira, 7, o ministro conversou com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, para entender melhor a situação do processo que apura a atuação do Banco Central na decisão de liquidar o Master.

No Palácio do Planalto, auxiliares afirmam que Lula também está atento ao desenrolar da investigação. A avaliação é que qualquer reversão, ou mesmo dúvida sobre a liquidação do banco, pode acabar contaminando o humor dos investidores e provocar ruídos adicionais no mercado financeiro.

A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central levou o tema para o centro do debate entre governo, órgãos de controle e o próprio mercado. O temor de integrantes do Planalto é que uma eventual reviravolta nas decisões envolvendo o Master provoque desconfiança sobre a solidez das instituições reguladoras e abra espaço para movimentos de instabilidade logo no começo do ano eleitoral.

Fontes próximas à equipe econômica avaliam que, em um cenário de maior sensibilidade política, qualquer sinal de insegurança em relação à atuação do BC pode ser interpretado como fragilidade regulatória, ainda que o sistema financeiro continue sólido.

É nesse contexto que a investigação do TCU sobre os passos que levaram à liquidação extrajudicial do Master passou a ser acompanhada com mais atenção por Lula, Haddad e Galípolo. O gesto do presidente do Banco Central, ao ligar para agradecer o apoio, é visto como sinal de alinhamento institucional em uma situação considerada delicada.

A apuração foi aberta pelo ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU. Ele determinou a realização de uma inspeção no Banco Central para levantar, passo a passo, as decisões e procedimentos que culminaram na liquidação do Banco Master.

A inspeção, porém, está parada. O próprio BC apresentou um recurso questionando a medida, o que levou Jhonatan de Jesus a encaminhar o tema ao plenário da Corte de Contas. O julgamento só deve avançar depois do fim do recesso, marcado para sexta-feira, 16.

Na prática, isso significa que, por ora, a inspeção está suspensa à espera de uma decisão colegiada dos ministros do TCU. Até lá, o caso segue em compasso de espera, mas cercado de expectativa por parte do governo e dos agentes de mercado.

Diante do desgaste e das dúvidas em torno do processo, há a expectativa de uma reunião na próxima semana entre Gabriel Galípolo, Fernando Haddad, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e o relator do caso, Jhonatan de Jesus.

O encontro deve servir para alinhar informações, esclarecer pontos técnicos sobre a liquidação do Master e, na medida do possível, reduzir ruídos entre o Banco Central e a Corte de Contas. A participação direta de Haddad e de Vital sinaliza que o tema foi alçado ao topo da agenda econômica e institucional.

Para o governo, o objetivo é demonstrar que há diálogo entre as instituições e, ao mesmo tempo, preservar a autonomia técnica do BC nas decisões de supervisão e intervenção no sistema financeiro.

Em entrevista nesta sexta-feira, 9, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, tentou baixar a temperatura do debate. Ao SBT News, ele afirmou que não é papel da Corte de Contas promover qualquer reversão da liquidação do Banco Master.

Segundo Vital, o TCU tem competência para fiscalizar o processo e analisar a atuação do Banco Central, mas não para desfazer a decisão de liquidar o banco. Em outras palavras, a Corte quer verificar se todos os procedimentos legais e técnicos foram cumpridos, sem assumir o lugar do regulador do sistema financeiro.

Ao mesmo tempo, Vital adiantou que o processo deve ser concluído em breve. O recado foi interpretado como sinal de que o Tribunal pretende dar uma resposta rápida, reduzindo o período de incerteza em torno do caso.

A apreensão no governo com o caso Master tem menos relação com o porte específico do banco e mais com o sinal institucional que uma eventual controvérsia poderia emitir. Em ano de disputa eleitoral, a equipe econômica tenta evitar qualquer espécie de turbulência que possa ser associada à gestão do sistema financeiro.

Se o TCU indicar problemas graves na atuação do Banco Central, ainda que apenas na forma de recomendações ou apontamentos, há receio de que isso seja explorado politicamente e gere dúvidas em investidores. Por outro lado, uma conclusão clara de que os procedimentos foram corretos é vista como fator de estabilização.

Daí a importância do diálogo direto entre Galípolo, Lula e Haddad. Ao agradecer o apoio, o presidente do BC procura se manter próximo do núcleo político do governo em um momento em que decisões técnicas estão sob escrutínio externo. Para o Planalto, a mensagem é de que não se trata de interferir no trabalho do Banco Central, mas de acompanhar de perto um caso sensível.

Gabriel Galípolo, que assumiu a presidência do Banco Central, vem sendo observado pelo mercado como figura-chave na ponte entre a política econômica do governo e a autoridade monetária. O caso Master surge como um dos primeiros grandes testes de sua gestão na área de supervisão bancária.

O telefonema para Lula e Haddad, relatado por fontes, é interpretado como um gesto político e institucional. Ao reconhecer o apoio do presidente da República e do ministro da Fazenda, Galípolo reforça a ideia de que, mesmo com a autonomia formal do BC, há um canal de diálogo permanente com o Executivo em momentos de crise.

Para o governo, a postura de Galípolo ajuda a evitar a imagem de distanciamento entre o Banco Central e o restante da equipe econômica em um momento em que a confiança na coordenação das políticas é vista como essencial.

A investigação do TCU sobre a liquidação do Banco Master coloca em evidência um ponto sensível da estrutura institucional brasileira: o equilíbrio entre o poder de fiscalização dos órgãos de controle e a autonomia técnica das autoridades reguladoras.

De um lado, o TCU tem a missão de verificar se o uso do poder estatal, inclusive em decisões de intervenção em instituições financeiras, respeitou a legislação e seguiu critérios adequados. De outro, o Banco Central precisa ter segurança para agir com rapidez quando enxerga risco em um banco, sem a paralisia provocada pelo medo permanente de questionamentos externos.

Ao afirmar que não cabe ao TCU reverter a liquidação, Vital do Rêgo sinaliza que a Corte pretende se concentrar na análise da legalidade e da regularidade do processo, sem entrar no mérito econômico da decisão. Ainda assim, qualquer crítica ou recomendação formal acaba tendo peso em um cenário de maior sensibilidade política e de atenção redobrada do mercado.

Com o recesso do TCU chegando ao fim em 16 de janeiro, a tendência é que o caso Master volte rapidamente à pauta. O ministro relator, Jhonatan de Jesus, já manifestou disposição em levar a discussão sobre a inspeção ao plenário, o que pode destravar a análise do processo.

Vital do Rêgo, por sua vez, sinalizou que o tribunal pretende concluir o caso em breve, o que é visto com bons olhos por integrantes do governo e do mercado financeiro. A leitura é que uma definição clara, seja ela qual for, é preferível a um período prolongado de incerteza.

Até lá, Galípolo continuará sob os holofotes, Haddad seguirá acompanhando o caso mesmo em meio a outros compromissos da área econômica e Lula manterá no radar os reflexos políticos e econômicos de cada movimento em torno do Banco Master.

O desfecho da investigação deve ajudar a calibrar, nos próximos meses, o ambiente de confiança no sistema financeiro e o grau de conforto dos agentes econômicos com a atuação combinada entre Banco Central, governo e órgãos de controle.

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