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04 de fevereiro de 2026 - 14h26
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MERCADO DE TRABALHO

Fim da escala 6x1 pode eliminar mais de 600 mil empregos formais no Brasil, aponta estudo

Nota técnica do CLP indica queda na produção, impacto no PIB e efeitos mais fortes em comércio, agropecuária e construção

4 fevereiro 2026 - 13h05Eduardo Laguna
Estudo do CLP aponta que o fim da escala 6x1 pode gerar perdas expressivas de empregos e impacto no PIB brasileiro.
Estudo do CLP aponta que o fim da escala 6x1 pode gerar perdas expressivas de empregos e impacto no PIB brasileiro. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A possível extinção da escala de trabalho 6x1 no Brasil pode provocar a perda de mais de 600 mil empregos formais, além de uma queda significativa na produção e impactos diretos no crescimento econômico do país. A avaliação consta em uma nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP), que analisou os efeitos da redução da jornada de trabalho sem diminuição proporcional dos salários.

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De acordo com o estudo, setores intensivos em mão de obra, como comércio, agropecuária e construção civil, tendem a ser os mais afetados caso o Congresso Nacional aprove mudanças na legislação trabalhista que reduzam os dias trabalhados por semana. O levantamento projeta perdas relevantes de postos de trabalho e redução da produtividade média dos trabalhadores nesses segmentos.

No comércio, a estimativa é de queda de 1,3% na produtividade do trabalhador, acompanhada por uma retração de 1,6% no emprego formal. Na prática, isso representaria a eliminação de cerca de 164,1 mil vagas com carteira assinada em todo o país. O setor é considerado sensível a mudanças no custo do trabalho, sobretudo em atividades que exigem funcionamento contínuo ao longo da semana.

A agropecuária também aparece entre os segmentos mais impactados. Segundo o CLP, a produtividade do trabalhador cairia 1,3%, enquanto o emprego formal recuaria 1,6%, o equivalente à perda de aproximadamente 28,4 mil postos de trabalho. O estudo ressalta que parte das atividades do campo depende de ciclos produtivos contínuos, o que dificulta ajustes rápidos em jornadas menores.

Na construção civil, os números seguem a mesma tendência. A projeção indica redução de 1,3% na produtividade e queda de 1,6% no emprego formal, com impacto estimado em 45,7 mil vagas a menos. O setor, que já enfrenta oscilações ligadas ao ritmo da economia, poderia sentir de forma mais intensa o aumento do custo da hora trabalhada.

Somados os efeitos sobre esses e outros segmentos da economia formal, o CLP calcula que o país pode ultrapassar a marca de 600 mil empregos formais perdidos. A instituição, que tem entre seus objetivos o fortalecimento da gestão pública e a formação de lideranças, alerta para os riscos de decisões que não considerem os efeitos estruturais sobre o mercado de trabalho.

Além da redução no nível de emprego, a nota técnica aponta que a produção do setor formal pode encolher até 2%. Esse recuo levaria em conta tanto a diminuição das horas efetivamente trabalhadas quanto a redução do número de trabalhadores empregados, afetando diretamente a capacidade produtiva da economia.

O impacto macroeconômico também aparece de forma expressiva nas projeções. Segundo o CLP, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia sofrer uma retração de cerca de 0,7%, o que representa aproximadamente R$ 88 bilhões. Para a entidade, o dado reforça que a mudança na jornada de trabalho teria efeitos de longo prazo e não se limitaria apenas às relações entre empregadores e empregados.

A nota técnica destaca que, caso o fim da escala 6x1 ocorra sem redução proporcional do salário mensal, haverá um aumento automático no custo da hora trabalhada. Esse efeito, classificado como mecânico pelo estudo, tende a pressionar as empresas de diferentes formas.

“Para uma parte das firmas, isso pode ser absorvido por reorganização interna, redução de desperdícios e mudanças tecnológicas, mas para outras pode virar compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala”, observa o CLP no documento.

Como referência internacional, o estudo cita a experiência de Portugal, que reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas. O resultado foi um aumento de 9,2% no salário por hora, acompanhado por queda de cerca de 1,7% no nível de emprego e redução de 3,2% nas vendas. Ainda segundo os dados apresentados, a diminuição total das horas trabalhadas no país europeu foi de 10,9%.

Para o CLP, a experiência portuguesa mostra que mudanças na jornada de trabalho exigem planejamento cuidadoso e análise dos impactos econômicos, especialmente em países com grande participação do setor de serviços e elevada informalidade, como é o caso do Brasil.

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