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30 de novembro de 2025 - 11h45
MERCADO FINANCEIRO

FIDCs batem recorde e se consolidam como alternativa robusta para investidores e empresas

Com quase R$ 60 bilhões em captação líquida no ano, fundos de direitos creditórios crescem com apoio da tecnologia, novas regras e apetite por crédito estruturado

30 novembro 2025 - 10h50Bruna Camargo
Mercado financeiro
Mercado financeiro - (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) seguem em expansão acelerada e devem fechar o ano como a segunda categoria mais atrativa em captação líquida na indústria de fundos, com entrada de quase R$ 60 bilhões até novembro. O montante só fica atrás dos fundos de renda fixa, que lideram com mais de R$ 180 bilhões, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

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Além da captação expressiva, o patrimônio líquido dos FIDCs chegou a R$ 734 bilhões, impulsionado por um ciclo virtuoso: maior diversidade de emissores, evolução das regras regulatórias, avanço tecnológico nas gestoras e crescente interesse de investidores por ativos de crédito com garantias. O movimento é visto como sinal de amadurecimento do mercado, que passou a enxergar nos FIDCs uma via eficiente tanto para financiar empresas quanto para proteger e rentabilizar o patrimônio.

Empresas médias e pequenas puxam novas estruturas - De acordo com Roberto Cortese, diretor regional da Apex Group para a América Latina, o ritmo de crescimento tem surpreendido até os veteranos do setor. “Nos últimos meses, vimos a multiplicação de estruturas diferentes e a entrada de empresas médias e pequenas que passaram a enxergar nos FIDCs uma alternativa real de captação”, explica.

A demanda levou à expansão de estruturas multissedentes e multissacados, com recebíveis pulverizados, exigindo um salto nos processos de due diligence e PDD (Provisão para Devedores Duvidosos). Para acompanhar esse avanço, a Apex acelerou a automação de suas “fábricas de esteiras” — plataformas customizadas que agilizam a criação e o monitoramento dos fundos.

Apesar do crescimento, Cortese ressalta que os FIDCs ainda disputam espaço com a renda fixa tradicional. "O grande desafio é fazer o investidor enxergar os FIDCs como um instrumento complementar, com retorno ajustado ao risco e estruturas seguras."

Investidores institucionais e alta renda ampliam alocações - Segundo Cristiano Greve, head de estruturação da Integral Investimentos, o aumento da alocação institucional é um dos motores dessa expansão. Em um ano, o volume de recursos aplicados por grandes investidores saltou de R$ 207 bilhões para R$ 271 bilhões. O varejo de alta renda também triplicou sua participação, com R$ 32,6 bilhões investidos.

“O investidor quer ativos que unam rentabilidade e segurança, e os FIDCs oferecem isso com operações estruturadas, garantias sólidas e governança robusta”, diz Greve. Em um cenário de juros elevados, a atratividade aumenta ainda mais.

Bancos e marcos regulatórios fortalecem o setor - Outro ponto de destaque é a entrada dos grandes bancos como compradores de cotas sêniores, o que, segundo Daniel Pegorini, CEO da Valora Investimentos, reduz o custo de capital e atrai mais empresas para a securitização via FIDCs. “Operações com FGTS, crédito consignado e risco corporativo passaram a contar com custos muito mais baixos, o que amplia o leque de emissores e alimenta um ciclo positivo de crescimento”, afirma.

Pegorini destaca também os avanços regulatórios, como a Resolução 175 da CVM, que modernizou o arcabouço da indústria e permitiu ampliar o acesso ao público geral. A Valora, inclusive, transformou parte de seus fundos em FIDCs, aproveitando os benefícios fiscais da nova regulamentação.

“O setor passou por testes importantes e mostrou resiliência. Hoje, os FIDCs têm menos problemas que muitos balanços de companhias abertas”, completa o executivo.

Novas fronteiras: precatórios, NPLs e consignado privado - Olhando para o futuro, os especialistas apontam espaço para expansão em nichos ainda pouco explorados, como precatórios, legal claims e NPLs (créditos inadimplentes). O crédito consignado privado também é visto como campo fértil: embora o mercado ultrapasse R$ 700 bilhões, apenas uma fração foi securitizada até agora via FIDCs.

Mesmo com eventuais riscos regulatórios e tributários — como a discussão sobre o IOF — o setor parece estar entrando em uma nova fase de maturidade. A visão geral entre as gestoras é de um mercado sólido, com governança aprimorada, atratividade crescente e alta capacidade de adaptação.

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