
O Conselho Deliberativo do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Condel/Sudeco) aprovou para 2026 a destinação de R$ 3,1 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para Mato Grosso do Sul, o maior volume já reservado ao Estado desde a criação do fundo. Os recursos vão atender projetos do agronegócio e do setor empresarial ao longo do próximo ano.
Metade desse montante está direcionada às linhas empresariais, que atendem comércio, serviços e indústria. Mesmo assim, as condições de financiamento seguem bem mais rígidas para esses segmentos. Conforme a programação do FCO, as taxas de juros para o setor empresarial podem chegar a 16% ao ano, enquanto operações de crédito rural trabalham com juros médios em torno de 8,5% ao ano.
Para a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), a diferença evidencia um tratamento desigual que se repete em outras frentes da política econômica. A presidente da entidade, Inês Santiago, afirma que o varejo acumula desvantagens, apesar de ter peso central na arrecadação de impostos.
“O comércio paga mais caro pelo crédito, ficou fora da maior parte das políticas de renúncia fiscal e não recebe o mesmo nível de incentivo que outros setores. É uma desvantagem em cima da outra para quem mantém a economia funcionando no dia a dia”, critica.
Presidente da FCDL/MS, Inês Santiago (Foto: Williams Souza)Segundo a FCDL-MS, nos últimos anos os programas de incentivos e benefícios fiscais foram direcionados principalmente a setores específicos, enquanto o varejo continuou sujeito à carga tributária cheia. Com isso, empresas do comércio e de serviços enfrentam ambiente mais oneroso para acessar capital de giro, financiar modernização ou ampliar operações.
A federação lembra que comércio e serviços concentram grande parte dos empregos formais no Estado e estão presentes em todos os municípios, garantindo fluxo contínuo de arrecadação de ICMS, ISS e outros tributos indiretos. Mesmo assim, esses setores seguem enfrentando juros mais altos em um cenário de custos operacionais crescentes e consumo em desaceleração.
Para Inês Santiago, é necessário rever a política de desenvolvimento regional sob a ótica da isonomia. “Não se trata de retirar incentivos de nenhum setor, mas de corrigir distorções. O varejo também precisa de crédito acessível e políticas que reconheçam seu peso econômico”, pontua.
A FCDL-MS defende que as condições do FCO para o setor empresarial sejam reavaliadas, com redução das taxas de juros e critérios que ampliem o acesso do comércio aos recursos. A entidade também cobra mais equilíbrio na concessão de incentivos fiscais, para evitar que o varejo continue arcando praticamente sozinho com o custo de sustentar a arrecadação estadual.

