
A proposta aprovada nesta tarde (10) no Senado que pretende reduzir a jornada semanal para 36 horas e acabar com a escala 6x1, prevista na PEC 148/2025, não resolve o que realmente pesa na vida do trabalhador: a dificuldade de manter o básico com um salário comprometido por impostos e contas essenciais. É o que alerta a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL/MS), que vê na medida um debate desproporcional diante das urgências reais da população.
A presidente da FCDL/MS, Inês Santiago, é direta: “Qualidade de vida depende de renda, não apenas de jornada. Ninguém descansa com fome”. Para ela, a discussão desvia o foco do que mais compromete o orçamento das famílias: o alto custo de itens essenciais, os tributos sobre consumo e a dificuldade de geração de empregos formais diante da carga sobre a folha de pagamento.
Trocar descanso por escolha - Enquanto a PEC avança no Congresso, a FCDL/MS reforça apoio a outra proposta em discussão: o Projeto de Lei que trata da flexibilização da jornada. O texto amplia as possibilidades de acordos individuais e coletivos, respeitando os limites constitucionais, mas permitindo que o trabalhador tenha mais liberdade para negociar jornadas mais longas, quando quiser aumentar a renda, ou mais curtas, para conciliar outras demandas.
Para a entidade, esse modelo respeita a autonomia do trabalhador e se adapta melhor às transformações do mercado, sem impor um único formato para realidades tão distintas.

Na avaliação da FCDL/MS, a mudança na escala, isoladamente, tende a ter efeito limitado. Impostos sobre luz, água, telefone, internet e produtos básicos seguem drenando boa parte dos salários, especialmente entre os mais pobres. O custo de viver, e não apenas de trabalhar, é o que deveria estar no centro do debate.

