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30 de janeiro de 2026 - 17h11
SENAR
CASO MASTER

Ex-presidente do BRB diz à PF que cobrou Vorcaro por carteiras compradas do Banco Master

Paulo Henrique Costa relata falhas na documentação, substituição de ativos e afirma que valores eram apenas contábeis

30 janeiro 2026 - 15h40Daniel Weterman
Depoimento de ex-presidente do BRB à PF detalha cobranças sobre carteiras compradas do Banco Master.
Depoimento de ex-presidente do BRB à PF detalha cobranças sobre carteiras compradas do Banco Master. - (Foto: Paulo H. Carvalho)

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento à Polícia Federal, prestado no dia 30 de dezembro, que cobrou diretamente o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre carteiras adquiridas pelo banco estatal. O relato integra a investigação que apura um esquema bilionário envolvendo ativos considerados irregulares.

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De acordo com a Polícia Federal, entre janeiro e junho de 2025, o BRB comprou R$ 6,7 bilhões em carteiras falsas do Banco Master e pagou outros R$ 5,5 bilhões em prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões. As apurações apontam que os créditos teriam sido originados pela Tirreno, classificada pelos investigadores como uma empresa de “prateleira”, e pela Cartos, companhia que mantinha relação comercial com o banco controlado por Vorcaro.

No depoimento, Paulo Henrique Costa disse que, inicialmente, não classificou os ativos como “podres”, mas reconheceu que o BRB passou a identificar problemas na documentação apresentada. Segundo ele, os papéis não atendiam aos padrões exigidos pelo Banco Central, o que acendeu o alerta dentro da instituição.

O ex-presidente afirmou que, em maio do ano passado, decidiu cobrar diretamente Daniel Vorcaro antes de avançar com a substituição das carteiras. Foi nesse período que o BRB teria constatado que os créditos não eram originados pelo Banco Master, mas sim pela Tirreno e pela Cartos.

“O meu celular vai mostrar esses registros, essas cobranças, nem sempre de uma maneira muito delicada, de recebimento e busca desses documentos”, afirmou Paulo Henrique Costa à Polícia Federal.

Segundo o ex-dirigente, diante do cenário identificado, o BRB passou a avaliar duas alternativas. A primeira era exigir que o Banco Master substituísse os ativos por outros, opção que acabou sendo adotada. A segunda possibilidade seria revender as carteiras para a Tirreno e a Cartos, negociação que chegou a ser discutida com representantes das duas empresas.

Paulo Henrique Costa afirmou ainda que nunca foi possível vender integralmente os R$ 6,7 bilhões adquiridos do Master porque, segundo ele, esse dinheiro não existia de fato no banco de Vorcaro. Tratava-se, segundo o depoimento, apenas de um registro contábil.

“Na investigação, parece que o dinheiro existia e estava depositado no Master, e não estava. Aquilo era um saldo contábil”, disse. Ele explicou que o BRB não exerceu imediatamente o direito de receber os valores porque isso poderia provocar uma quebra e impedir a conclusão do processo de troca de ativos. “Geraria uma perda para o BRB significativa”, afirmou.

O depoimento reforça a linha de investigação da Polícia Federal, que busca esclarecer como se deu a negociação das carteiras, a origem dos créditos e o impacto financeiro para o banco público do Distrito Federal no caso que envolve o Banco Master.

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