
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou nesta quarta-feira, 7, que o governo norte-americano pretende vender petróleo venezuelano e depositar os recursos em contas controladas pelos EUA, com parte do óleo destinada ao mercado doméstico e o restante comercializado globalmente. A declaração foi feita durante a conferência anual de energia do Goldman Sachs em Miami, marcando sua primeira fala pública sobre o tema desde a retirada do presidente venezuelano Nicolás Maduro do poder.
Segundo Wright, o objetivo é supervisionar as vendas da produção venezuelana e usar os lucros como instrumento de pressão política para promover mudanças no país. Ele destacou que, ao controlar o fluxo de petróleo e as receitas decorrentes das vendas, os Estados Unidos podem exercer “grande poder de influência” sobre a situação venezuelana.
A estratégia faz parte de um plano mais amplo que, conforme anunciado pela administração do presidente Donald Trump, inclui direcionar parte do petróleo venezuelano para refinarias americanas e colocar o restante no mercado global. Os recursos gerados serão mantidos inicialmente em contas controladas pelo governo dos EUA, antes de ser aplicados posteriormente — segundo autoridades — em projetos que beneficiem tanto o povo venezuelano quanto cidadãos americanos.
O presidente Trump afirmou, na noite anterior às declarações de Wright, que autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade aos Estados Unidos, a preço de mercado, com os ganhos “controlados por mim, como presidente dos Estados Unidos”.
Wright também afirmou que os EUA pretendem aumentar a produção venezuelana em várias centenas de milhares de barris por dia no curto a médio prazo, graças à criação de um ambiente favorável à entrada de empresas americanas no país e à reconstrução da indústria petrolífera venezuelana, que sofreu com anos de falta de investimentos e deterioração de infraestrutura.
A iniciativa representa uma mudança significativa na política energética e externa dos EUA em relação à Venezuela, dando ao governo norte-americano controle direto sobre a comercialização de recursos que historicamente fazem parte das maiores reservas de petróleo do mundo.

