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06 de fevereiro de 2026 - 17h50
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ECONOMIA

Haddad pede tempo para cumprir promessas e defende medidas fiscais sustentáveis

Ministro diz que governo vai cumprir compromissos de campanha, mas com responsabilidade nas contas públicas

6 fevereiro 2026 - 16h20Naomi Matsui e Flávia Said
Fernando Haddad defende cumprimento responsável das promessas de campanha durante evento do PT.
Fernando Haddad defende cumprimento responsável das promessas de campanha durante evento do PT. - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (6) que o cumprimento das promessas de campanha precisa ser feito de forma responsável e com sustentação fiscal. A declaração foi dada durante evento de comemoração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado em Salvador (BA), em meio a discursos de tom eleitoral.

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Ao comentar cobranças internas por resultados imediatos, Haddad disse que não há recuo nos compromissos assumidos, mas reforçou a necessidade de tempo para estruturar as medidas. “Eu sei que tem gente dizendo: ‘Haddad é promessa, tem de fazer e ponto’. Eu não estou dizendo que não vou fazer. Estou pedindo tempo para fazer direito. Vou trabalhar para fazer uma coisa sustentável”, afirmou.

Entre os exemplos citados pelo ministro está o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Segundo Haddad, a proposta segue no radar do governo, mas precisa ser implementada de maneira consistente para não comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Em sua fala, o ministro também abordou temas que ainda estão em estudo para eventual inclusão no plano de governo, como a adoção de tarifa zero no transporte público. Haddad explicou que, diferentemente da redução da jornada de trabalho no modelo 6x1, a gratuidade no transporte tem impacto fiscal direto e exige uma fonte clara de financiamento.

“A escala 6x1 não tem impacto fiscal. Mas as tarifas zero têm. Eu preciso desenhar um programa que tenha consistência. Se não tiver, vai ter de voltar atrás. Como financiar o transporte público se não for por tarifa?”, questionou.

Haddad afirmou que existem alternativas possíveis, mas reconheceu que a mudança não é simples. “Tem jeito? Tem. Mas não é uma coisa simples abdicar da tarifa para financiar um serviço público. Estamos trabalhando em cenários que permitirão ou não ao presidente incluir essa proposta no plano de governo”, disse.

O ministro reforçou que as ações conduzidas pela equipe econômica não atendem a interesses específicos, mas buscam construir uma trajetória sustentável para os indicadores do país. “Nenhuma medida da Fazenda foi pensada como concessão para A, B ou C. O objetivo é dar sustentação à economia”, afirmou.

Ao falar sobre a política fiscal, Haddad voltou a defender a reorganização das contas públicas como condição para garantir credibilidade ao governo. “Se eu estiver aqui ou na Faria Lima, vou estar falando a mesma coisa. Sou a favor, desde o começo do governo, da reconstrução das contas públicas”, declarou.

O ministro também criticou a condução econômica do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Haddad, o país ainda enfrenta consequências de decisões adotadas no período anterior, o que dificulta uma alternância de poder considerada, por ele, normal.

“Não estamos numa situação normal, em que há apenas uma mudança de trajetória consistente com uma visão de bem-estar e enfrentamento das mazelas sociais”, afirmou.

As declarações de Haddad indicam que o governo pretende manter o discurso de compromisso social, mas condicionado ao equilíbrio fiscal, em um cenário de disputas políticas e de expectativa sobre novas medidas econômicas.

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