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ECONOMIA

Endividamento e inadimplência recuam em dezembro, mas seguem acima do nível de 2024

Pesquisa da CNC mostra melhora pontual no fim do ano, ainda pressionada pelos juros altos

13 janeiro 2026 - 13h20Daniela Amorim
Pesquisa da CNC aponta leve recuo no endividamento das famílias em dezembro, ainda acima do nível de 2024.
Pesquisa da CNC aponta leve recuo no endividamento das famílias em dezembro, ainda acima do nível de 2024. - (Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo)

Os brasileiros encerraram dezembro com uma leve redução no endividamento e na inadimplência em relação a novembro, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar do alívio pontual, os índices continuam acima dos registrados no fechamento de 2024, indicando que o orçamento das famílias segue sob pressão, especialmente diante do custo elevado do crédito.

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A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) aponta que a proporção de famílias com algum tipo de dívida caiu de 79,2% em novembro para 78,9% em dezembro. Ainda assim, o percentual permanece superior ao observado em dezembro de 2024, quando 76,7% das famílias estavam endividadas.

O mesmo movimento foi identificado na inadimplência. A fatia de famílias com contas em atraso recuou de 30,0% para 29,4% na passagem de novembro para dezembro. No comparativo anual, no entanto, o índice praticamente se manteve, já que em dezembro do ano anterior estava em 29,3%.

Outro dado que chama atenção é a redução no número de famílias que afirmam não ter condições de quitar débitos em atraso. Esse grupo passou de 12,9% em novembro para 12,6% em dezembro, abaixo também do patamar de dezembro de 2024, que era de 13,0%. O resultado indica uma melhora gradual na capacidade de pagamento, ainda que restrita.

Na avaliação da CNC, a queda recente não altera o cenário de cautela. A entidade observa que o comportamento do endividamento ao longo do ano seguiu de perto a trajetória de alta da taxa básica de juros, a Selic, o que limitou uma recuperação mais consistente das finanças familiares.

Em nota oficial, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avaliou que os dados reforçam a necessidade de um ambiente econômico mais favorável. “É mais um indício de que precisamos diminuir os juros de maneira responsável. A economia brasileira mostra sinais de consistência, fechando 2025 com inflação, câmbio e emprego melhores do que o esperado; porém, a continuação desses resultados depende diretamente de um ambiente mais favorável à livre-iniciativa, considerando a instabilidade global pela qual passamos”, afirmou.

A pesquisa considera como dívidas os compromissos a vencer em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, crédito consignado, empréstimos pessoais, cheques pré-datados e financiamentos de veículos e imóveis. Entre esses, o cartão de crédito segue como um dos principais fatores de preocupação, por conta dos juros elevados.

O levantamento também detalha o perfil das dívidas em atraso. A proporção de famílias com contas vencidas há mais de 90 dias ficou praticamente estável, passando de 48,5% em novembro para 48,6% em dezembro. Mesmo assim, o indicador permanece abaixo do registrado em dezembro de 2024, quando atingiu 49,2%.

Já o comprometimento de longo prazo apresentou melhora mais significativa. A parcela de famílias com dívidas que ultrapassam um ano caiu de 32,1% para 31,8% entre novembro e dezembro. No fim de 2024, esse percentual era bem mais alto, chegando a 36,3%, o que sinaliza uma redução gradual dos contratos mais prolongados.

Para os próximos meses, a CNC projeta continuidade desse movimento. A expectativa da entidade é de queda tanto no endividamento quanto na inadimplência ao longo do primeiro trimestre de 2026, ainda que o cenário dependa diretamente da condução da política monetária.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, alertou para os riscos associados à manutenção dos juros elevados. “Esperamos que, ainda no primeiro semestre, o Banco Central entenda a necessidade de trabalhar com uma taxa Selic mais razoável do que a que vemos desde a metade de 2025. O último trimestre foi de bons resultados, muito por conta do 13º salário e das datas festivas, mas há um risco iminente no ciclo de endividamento, principalmente por cartão de crédito, uma bola de neve das dívidas”, destacou, em nota.

O desempenho de dezembro, influenciado pelo pagamento do 13º salário e pelo aumento do consumo nas festas de fim de ano, ajudou a aliviar temporariamente as contas das famílias. O desafio, segundo a CNC, será manter essa trajetória em um cenário menos favorável ao consumo nos primeiros meses do ano, quando despesas fixas voltam a pesar no orçamento.

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