
O início de 2026 trouxe um alerta para o orçamento das famílias de Campo Grande. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostram que 70,1% dos lares da Capital tinham algum tipo de dívida em janeiro, índice maior do que o registrado no fim de 2025. Na prática, isso significa que cerca de 246 mil famílias estão convivendo com parcelas, boletos ou contas atrasadas.
O peso do endividamento, no entanto, não é igual para todos. As famílias com renda de até 10 salários mínimos são as mais afetadas: 72,5% estão endividadas. Já entre aquelas que ganham acima desse patamar, o índice cai para 58,2%. A diferença também aparece no grupo que conseguiu escapar das dívidas: quase 42% das famílias de maior renda dizem não dever nada, contra apenas 27,5% entre as de menor renda.
Segundo a economista Regiane Dedé de Oliveira, do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS, os números refletem um cenário de pressão constante sobre o orçamento doméstico. “As famílias de menor renda sentem mais os efeitos dos juros altos e do aumento do custo de vida. Elas têm menos margem para absorver imprevistos”, explica.
Outro dado que chama atenção é a dificuldade para colocar as contas em dia. A pesquisa aponta que 12,5% das famílias de Campo Grande não conseguirão pagar as dívidas atrasadas no próximo mês, o equivalente a quase 44 mil lares. Entre os que ganham até 10 salários mínimos, esse percentual sobe para 14,5%, enquanto nas famílias de renda mais alta cai para 5,1%.
O cartão de crédito segue como o principal vilão do endividamento, presente em quase 70% dos lares endividados. Embora o uso seja comum em todas as faixas de renda, o impacto no orçamento varia. Entre as famílias com renda mais alta, 28,1% comprometem mais da metade do salário mensal com dívidas. Já entre as de menor renda, esse índice é de 13%.
Os dados reforçam um cenário conhecido de muitas famílias campo-grandenses: o crédito continua sendo uma ferramenta para fechar as contas do mês, mas, sem planejamento, acaba ampliando a sensação de aperto financeiro, especialmente para quem tem menos renda disponível.
