
O professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) José Francisco Lima Gonçalves avaliou que, caso o episódio envolvendo a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro seja confirmado como um golpe, o sucessor no comando do país deverá ter alinhamento político com os Estados Unidos. Segundo ele, esse cenário tende a reduzir incertezas e acalmar os agentes do mercado internacional.
“Sendo um golpe, o sucessor será alinhado com Trump e isso vai acalmar os participantes do mercado”, afirmou o economista. A análise foi feita antes da entrevista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ele se pronunciaria oficialmente sobre a operação americana realizada na Venezuela.
Na madrugada deste sábado, forças norte-americanas capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, segundo informações divulgadas pelo próprio governo dos EUA. Até o momento, não há confirmação independente sobre a repercussão local da operação, nem clareza sobre como ficará a situação política interna da Venezuela nos próximos dias.
O episódio aumenta o grau de incerteza institucional no país vizinho, que já enfrenta uma longa crise política, econômica e social. Para analistas, a definição rápida de um novo comando pode ser determinante para a reação dos mercados, especialmente diante do peso estratégico da Venezuela no setor energético mundial.
Mais cedo, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, defendeu publicamente que Edmundo González Urrutia assuma a presidência após a deposição de Maduro. O opositor, reconhecido pelos Estados Unidos como vencedor das eleições de 2024, afirmou nas redes sociais que as próximas horas seriam “decisivas” para o país.
Em sua manifestação, González Urrutia disse estar pronto para conduzir um processo de reconstrução nacional, em meio ao cenário de instabilidade e às disputas jurídicas e políticas que envolvem a sucessão do poder. Apesar das declarações, ainda não há definição oficial sobre quem assumirá o comando do país, nem sobre o reconhecimento internacional de um eventual novo governo.
Enquanto isso, o mercado e a comunidade internacional acompanham com cautela os desdobramentos do caso, atentos aos impactos políticos, econômicos e diplomáticos que a crise venezuelana pode provocar na região e no cenário global.
