
Após quatro pregões consecutivos de queda, período em que acumulou perdas de 3,39%, o dólar voltou a subir levemente nesta quarta-feira (7), mas permaneceu abaixo de R$ 5,40. Operadores do mercado atribuem o movimento a um ajuste técnico e à realização de lucros, em um ambiente ainda desfavorável às moedas de países emergentes.
A pressão externa veio principalmente da queda nos preços do petróleo e de commodities metálicas, o que abriu espaço para correções no câmbio doméstico. Além disso, dados recentes da economia dos Estados Unidos reforçaram a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros inalterados neste mês, fortalecendo o dólar globalmente.
Ao longo do dia, a moeda americana oscilou entre R$ 5,3690 na mínima e R$ 5,4010 na máxima. No fechamento, o dólar à vista registrou alta de 0,13%, cotado a R$ 5,3870. Mesmo com o avanço, a divisa acumula queda de 1,86% em janeiro, após ter subido 2,89% em dezembro, quando chegou a se aproximar de R$ 5,60.
Segundo a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, o movimento desta quarta seguiu o padrão observado em outras moedas emergentes. “Vimos uma leve alta do dólar hoje, em linha com o comportamento em relação a outras divisas emergentes. Tem também um fator técnico de correção após a valorização do real nos últimos dias”, avaliou.
Ela também destacou que ruídos institucionais envolvendo o Banco Master podem ter contribuído para uma postura mais defensiva dos investidores no mercado local.
No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operava em leve alta no fim da tarde, em torno de 99,680 pontos. Em janeiro, o Dollar Index acumula valorização de aproximadamente 0,40%.
Dados divulgados nos Estados Unidos ajudaram a sustentar o dólar. Pesquisa da ADP mostrou que o setor privado norte-americano criou 41 mil empregos em dezembro, abaixo da expectativa de 48 mil vagas. Por outro lado, o PMI de serviços, medido pelo ISM, subiu de 52,6 em novembro para 54,4 em dezembro, contrariando a projeção do mercado, que previa recuo.
As atenções agora se voltam para o relatório oficial de emprego (payroll), que será divulgado na sexta-feira (9). O dado é considerado decisivo para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Fed. Levantamento do CME Group indica que as chances de manutenção dos juros em janeiro superam 80%, enquanto a probabilidade de juros inalterados também em março subiu para cerca de 58%.
“O mercado está à espera do payroll para entender melhor como anda o mercado de trabalho e projetar os próximos passos do Banco Central americano. Isso acaba trazendo mais cautela e ajuda a sustentar o dólar”, explicou Quartaroli.
No Brasil, o Banco Central informou que o fluxo cambial total foi negativo em US$ 13,562 bilhões em dezembro, puxado por saídas líquidas de US$ 20,982 bilhões pelo canal financeiro, que inclui remessas de lucros e dividendos. No acumulado do ano, o saldo foi deficitário em US$ 33,3 bilhões.
Para o economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, o fluxo negativo e o aumento do pessimismo com o cenário político interno explicam a forte depreciação do real no fim de 2025. Segundo ele, nesse período, a moeda brasileira teve o pior desempenho entre as divisas emergentes.
Apesar da leve alta desta quarta-feira, analistas avaliam que o comportamento do dólar segue condicionado ao cenário externo, especialmente aos dados de emprego dos Estados Unidos e às decisões do Fed, além dos desdobramentos políticos e institucionais no Brasil.

