
O dólar encerrou a sessão desta terça-feira (3) em leve queda no mercado brasileiro, acompanhando o movimento da moeda americana no exterior. A divisa foi pressionada pela valorização de moedas de países emergentes, pela alta do petróleo e pela expectativa de novo ingresso de capital estrangeiro na bolsa doméstica, fatores que favoreceram a apreciação do real.
No fechamento, o dólar comercial recuou 0,18% e foi cotado a R$ 5,25, após ter registrado mínima de R$ 5,2065 pela manhã, quando chegou a flertar com o rompimento do piso de R$ 5,20. A moeda reduziu o ritmo de baixa ao longo da tarde, depois de duas sessões consecutivas de alta.
Apesar da queda no dia, o dólar ainda acumula leve avanço de 0,05% nos dois primeiros pregões de fevereiro. Em janeiro, a moeda americana recuou 4,40% frente ao real, a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando a queda foi de 4,99%.
No cenário internacional, o dólar voltou a perder força após um repique recente provocado pela indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu cerca de 0,20% no fim do dia, aos 97,450 pontos, depois de tocar mínima de 97,298.
Entre moedas de países emergentes e exportadores de commodities, o destaque foi o dólar australiano, que avançou cerca de 0,90% após o banco central da Austrália anunciar aumento de juros, movimento que reforçou o apetite por ativos de maior rendimento.
No Brasil, o mercado reagiu à ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A leitura do documento levou instituições como Santander e Itaú a revisarem suas projeções para o início do ciclo de corte da Selic, passando de uma redução de 0,25 ponto porcentual para 0,50 ponto em março. Ainda assim, a percepção dominante segue sendo de um processo gradual de afrouxamento monetário.
A expectativa de manutenção de juros reais elevados e de um amplo diferencial em relação às taxas internacionais continua estimulando operações de carry trade e desestimulando a manutenção de posições defensivas em dólar.
Para o diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, o ambiente externo segue bastante favorável aos ativos brasileiros. Ele chama atenção para o forte ingresso de capital estrangeiro na B3 em janeiro, que superou R$ 26 bilhões, o segundo melhor resultado da série histórica.
“O Brasil é um dos países que mais se beneficiam no atual quadro geopolítico. Essa entrada de recursos externos não surpreende. Vejo uma janela para mais apreciação do real. O dólar pode ficar abaixo de R$ 5,00 neste primeiro semestre”, avalia Oliveira. Segundo ele, mesmo com o início de um ciclo de redução da Selic, o real tende a se manter atrativo. “O carry trade ainda vai permanecer muito elevado”, afirma.
No exterior, o noticiário político também influenciou o mercado. À tarde, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou o pacote de financiamento governamental de US$ 1,2 trilhão revisado pelo Senado, encerrando a paralisação parcial do governo americano. Em razão do shutdown, a divulgação de dados relevantes do mercado de trabalho, como o relatório Jolts e o payroll de janeiro, foi adiada.
No comunicado, o Copom reiterou a necessidade de manter os juros em patamar restritivo para consolidar o processo de desinflação. A ata reforçou que a magnitude e a duração do ciclo de flexibilização monetária dependerão da evolução dos indicadores econômicos ao longo do tempo.
Para Oliveira, do Banco Pine, o Banco Central já reunia condições técnicas para iniciar o corte de juros em janeiro, mas optou por uma postura mais cautelosa. “O BC preferiu primeiro ajustar o tom da comunicação. Depois do comunicado da semana passada, a curva de juros já passou a indicar maior probabilidade de um corte de 0,50 ponto em março”, observa.

