
O dólar fechou em leve queda nesta quarta-feira, 11, no mercado doméstico, mesmo diante da resistência da moeda americana no exterior após a divulgação de dados robustos de emprego nos Estados Unidos. A moeda encerrou o dia em baixa de 0,18%, cotada a R$ 5,1876, no menor nível desde 28 de maio de 2024.
Durante a sessão, o dólar chegou à máxima de R$ 5,2040 logo após a divulgação do relatório de emprego americano, mas perdeu força ao longo do dia. A mínima foi de R$ 5,1695, no fim da manhã.
No acumulado de fevereiro, a divisa recua 1,14%, após queda de 4,40% em janeiro. No ano, as perdas somam 5,49%.
Operadores afirmam que o real segue sustentado pelo movimento global de rotação de carteiras e por provável entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira, que atingiu a marca de 190 mil pontos.
Para o diretor de portfólio da Oryx Capital, Luiz Fioreze, os ativos domésticos continuam oferecendo prêmio atrativo. “O payroll veio forte o suficiente para reduzir a convicção em cortes de juros rápidos nos EUA, o que ajuda a explicar porque o DXY não cede com força, mas também não decola. O dólar global fica travado”, afirmou. “Temos entrada para a renda variável e diferencial de juros que sustenta estratégias de carry.”
O índice DXY, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operava perto da estabilidade, na faixa dos 96,800 pontos. Na semana, o indicador acumula queda de cerca de 0,80%.
O relatório de emprego (payroll) mostrou a criação de 130 mil vagas nos Estados Unidos em janeiro, acima da mediana de 67 mil projetada pelo mercado. A taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%, enquanto o salário médio por hora avançou 0,41%.
Com os números, as apostas para o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve migraram de março para junho, segundo ferramenta de monitoramento do CME.
No Brasil, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tiveram impacto limitado sobre o câmbio. Ele voltou a mencionar a “calibragem” da política monetária com possível início de ciclo de cortes em março, conforme sinalizado pelo Copom em janeiro.
Analistas avaliam que Galípolo busca evitar expectativas de afrouxamento mais intenso, já que as projeções de inflação seguem acima da meta.
“Embora não tenha tanto fluxo para renda fixa como tem para bolsa, eu não tenho dúvida de que o apelo do carry é muito forte, porque ainda temos juros muito elevados”, afirmou a economista-chefe da BuysideBrazil, Andrea Damico. “O Brasil é um dos mercados mais líquidos e profundos entre emergentes e se beneficia da rotação global de carteiras".
A divulgação da pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida presidencial também teve influência secundária. O levantamento apontou liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todos os cenários testados, com redução da diferença em eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Parte do mercado avalia que uma eventual vitória da oposição poderia levar a ajustes estruturais nas contas públicas, com impacto na percepção de risco e nos prêmios exigidos pelos investidores.
