
O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (6) em queda pelo quarto dia consecutivo e fechou abaixo de R$ 5,40 pela primeira vez desde 4 de dezembro, véspera do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 5,3800, com baixa de 0,47%.
Segundo operadores, os primeiros pregões de 2026 têm sido marcados por ajustes de posições em um ambiente de liquidez reduzida, após o câmbio ter se aproximado de R$ 5,60 no fim do ano passado. Na avaliação do mercado, a valorização recente do real ocorre após pressão provocada pela sazonalidade negativa do fluxo cambial e pelo aumento dos prêmios de risco em meio a ruídos políticos domésticos.
Apesar da elevação das tensões geopolíticas após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças ligadas à administração Donald Trump, o cenário externo segue favorável a ativos de risco, o que tem beneficiado moedas emergentes. Nesta terça, divisas como o peso chileno, peso colombiano e o rand sul-africano também avançaram frente ao dólar.
Com exceção de uma leve alta no início dos negócios, a moeda americana operou em território negativo ao longo de todo o dia. Na mínima, chegou a R$ 5,3635. Após subir 2,89% em dezembro, o dólar acumula agora queda de 1,99% frente ao real neste começo de ano.
Para o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, o ambiente internacional tem estimulado o apetite ao risco, favorecendo moedas como o real. Ele destaca que a perspectiva de manutenção da Selic em 15% ao menos até março, combinada à possibilidade de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, abre espaço para valorização adicional da moeda brasileira no primeiro trimestre.
“É possível que o dólar busque R$ 5,30 ou R$ 5,20 até março. Depois disso, vamos observar como a moeda reage ao início dos cortes da Selic e ao cenário eleitoral”, afirma Viotto. Segundo ele, um afrouxamento monetário mais intenso aliado a pesquisas que indiquem chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno pode provocar um movimento de excesso de queda no câmbio.
No período da tarde, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) informou que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025. Para 2026, o Ministério do Desenvolvimento projeta saldo positivo entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, o que tende a contribuir para o fluxo cambial favorável.
O C6 Bank, por sua vez, revisou a projeção para o dólar no fim de 2026, reduzindo a estimativa de R$ 6,00 para R$ 5,80. Ainda assim, o banco avalia que fatores internos, como a preocupação com o crescimento da dívida pública, devem continuar exercendo pressão sobre o câmbio ao longo do ano.
No mercado internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,30% no fim da tarde, em torno dos 98,5 pontos. As taxas dos Treasuries apresentavam alta moderada, em movimento de correção após o recuo observado na sessão anterior.
Entre os indicadores divulgados, o PMI de serviços dos Estados Unidos caiu de 54,1 em novembro para 52,5 em dezembro, segundo dados finais da S&P Global, abaixo da leitura preliminar e das projeções do mercado.
Pela manhã, o presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin, afirmou que a taxa básica americana já está próxima do nível considerado neutro. Já Stephen Miran, diretor do Fed indicado por Trump, avaliou que a política monetária segue restritiva e defendeu cortes adicionais de juros superiores a 100 pontos-base para evitar uma desaceleração mais forte da economia.
Os investidores agora aguardam os dados do mercado de trabalho dos EUA, com a divulgação do relatório ADP nesta quarta-feira (7) e do payroll na sexta-feira (9). Sinais de enfraquecimento do emprego podem reforçar as apostas em novos cortes de juros pelo Fed no primeiro trimestre.

