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29 de janeiro de 2026 - 21h07
SENAR
ECONOMIA

Dólar fecha abaixo de R$ 5,20 pela primeira vez desde maio de 2024

Movimento global de enfraquecimento da moeda americana impulsiona real, apesar de dados domésticos

29 janeiro 2026 - 19h45Antonio Perez
Dólar fechou abaixo de R$ 5,20 impulsionado por cenário externo favorável às moedas emergentes.
Dólar fechou abaixo de R$ 5,20 impulsionado por cenário externo favorável às moedas emergentes. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Após um dia marcado por forte volatilidade, o dólar à vista encerrou esta quinta-feira cotado a R$ 5,1936, com queda de 0,25%. Foi a primeira vez que a moeda norte-americana fechou abaixo de R$ 5,20 desde 28 de maio de 2024. Durante o pregão, a divisa oscilou mais de oito centavos, com mínima de R$ 5,1659 e máxima de R$ 5,2488.

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Com o resultado, o dólar acumula desvalorização de 1,75% na semana até o momento e de 5,38% em janeiro. Operadores destacam que, apesar da divulgação de indicadores relevantes no Brasil, como o resultado primário do governo central e os dados do mercado de trabalho medidos pelo Caged, o comportamento do câmbio foi novamente influenciado majoritariamente pelo cenário externo.

O ambiente global favoreceu moedas de países emergentes. As commodities voltaram a subir, com destaque para o petróleo, cujos preços avançaram quase 4% diante de ameaças militares dos Estados Unidos ao Irã. Esse movimento ajudou a sustentar a valorização do real ao longo do dia.

Após atingir R$ 5,16 pela manhã, o dólar chegou a subir no início da tarde, quando tocou R$ 5,25. A alta ocorreu em meio ao aumento da aversão ao risco no exterior, com forte queda das bolsas em Nova York. Com a redução das tensões nos mercados internacionais, a moeda americana voltou a perder força no exterior, refletindo-se novamente na taxa de câmbio doméstica.

Em um cenário favorável às divisas emergentes, analistas avaliam que o real tende a se destacar no curto prazo pela atratividade do carry trade, mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizar, na quarta-feira, o início de um ciclo de cortes de juros a partir de março. As expectativas do mercado se dividem entre uma redução inicial de 0,25 ou 0,50 ponto porcentual.

Apesar do tom cauteloso adotado pelo Federal Reserve, economistas não descartam novos cortes de juros nos Estados Unidos ainda neste ano. A possibilidade ganha força diante da troca de comando na instituição, com o término do mandato de Jerome Powell em maio e a indicação de um novo presidente pelo presidente Donald Trump.

Os estrategistas do Citi avaliam que o real segue bem posicionado no curto prazo e mantêm, por ora, uma posição vendida em euro frente à moeda brasileira. “Historicamente, o real tende a se valorizar antes do primeiro corte de juros, mas depois enfrenta dificuldades dependendo da extensão do ciclo”, afirmam. O banco também alerta que, com a aproximação das eleições na segunda metade do ano, o ambiente para a moeda pode se tornar menos favorável.

Para o superintendente da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, o enfraquecimento global do dólar reflete um movimento especulativo considerado exagerado, sustentado pela percepção de desaceleração da economia americana em meio à política econômica e diplomática errática de Trump, além do risco de um novo shutdown do governo dos Estados Unidos.

“Esse movimento de perda do dólar é um exagero, mesmo com o próprio Trump dizendo que a desvalorização da moeda não é uma preocupação. A atividade nos EUA segue resiliente”, afirmou Chiumento, citando dados fortes de encomendas à indústria americana em novembro, divulgados nesta quinta-feira, 29.

Segundo ele, a recente valorização do real está ligada principalmente à dinâmica do mercado global de moedas e à rotação de carteiras em direção a ativos de países emergentes, o que ajuda a explicar o forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira.

“Não há nada doméstico que explique o desempenho do real. É puramente a fuga global do dólar. Mas podemos ver mais volatilidade por questões locais, como o início do ciclo de cortes da Selic, que pode começar com redução de 0,50 ponto porcentual, e o processo eleitoral”, concluiu.

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