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09 de fevereiro de 2026 - 20h53
ECONOMIA

Dólar fecha abaixo de R$ 5,20 com desvalorização global da moeda americana

Movimento externo, entrada de fluxo estrangeiro e recorde do Ibovespa influenciaram o câmbio

9 fevereiro 2026 - 19h00Antonio Perez
Dólar caiu abaixo de R$ 5,20 com enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional.
Dólar caiu abaixo de R$ 5,20 com enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar iniciou a semana em queda no mercado brasileiro e encerrou o pregão desta segunda-feira (9) abaixo da marca de R$ 5,20, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana. O movimento foi impulsionado por uma nova onda de diversificação de portfólios no exterior, com redução da exposição a ativos denominados em dólar, após informações de que a China teria recomendado a seus bancos diminuir a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

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Mesmo sem liderar os ganhos entre as moedas emergentes, o real se beneficiou do ambiente externo favorável e também de fatores domésticos. Operadores apontam a provável entrada de fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira, que registrou novo recorde de fechamento do Ibovespa, além da expectativa de um processo cauteloso de redução da taxa Selic, reforçada por declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento pela manhã.

O dólar à vista chegou a atingir mínima de R$ 5,1752 no início da tarde, em sintonia com o mercado internacional, e fechou o dia cotado a R$ 5,1882, em queda de 0,62%. Trata-se do menor valor de encerramento desde 28 de maio de 2024, quando a moeda terminou o pregão em R$ 5,1540.

No acumulado de fevereiro, o dólar já recua 1,13%, após ter registrado perdas de 4,40% em janeiro — a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%. No ano, a moeda americana acumula queda de 5,48% frente ao real.

Para o economista-chefe da corretora Monte Bravo, Luciano Costa, o comportamento do câmbio segue sendo determinado, principalmente, pela dinâmica global do mercado de moedas. Segundo ele, o real e outras divisas emergentes são favorecidos pela redução das posições em ativos americanos.

“O gatilho para o movimento de queda global do dólar veio da China, com a notícia de recomendação para os bancos diminuírem a exposição às Treasuries. O yuan se valorizou e o ouro voltou a subir”, afirmou Costa. Ele observou ainda que a esperada valorização do iene, após a vitória do partido da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições legislativas, não se confirmou.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuava cerca de 0,80% no fim da tarde, próximo dos 96,800 pontos, após mínima aos 96,793. Franco suíço e coroa sueca avançaram mais de 1%, enquanto os preços do petróleo subiram acima de 1%. No acumulado do ano, o DXY registra queda aproximada de 1,49%.

Na semana passada, o Dollar Index havia avançado cerca de 0,50%, refletindo a redução dos temores sobre a perda de independência do Federal Reserve após a indicação, por Donald Trump, do ex-diretor Kevin Warsh — de perfil conservador — para a presidência do banco central americano. Agora, investidores aguardam a divulgação do payroll de janeiro, prevista para esta quarta-feira (11), que pode influenciar as apostas sobre os próximos passos do Fed, diante da crescente expectativa de um corte de 25 pontos-base nos juros em março.

Luciano Costa avalia que o real apresenta uma valorização superior ao que a queda do DXY sugeriria, o que pode refletir uma correção após o repique do dólar em dezembro e a entrada de recursos estrangeiros em ativos locais, especialmente ações. Ele lembra que parte do fluxo registrado na B3 em janeiro pode ser resultado da migração de recursos que estavam alocados na renda fixa brasileira no fim de 2025, que recebeu aporte líquido superior a US$ 5 bilhões em dezembro.

“Eu já achava R$ 5,20 um nível baixo para o dólar e é difícil pensar em uma valorização muito mais forte do real daqui para frente, porque acredito que o movimento mais intenso de fluxo já ficou para trás. O Ibovespa já não está barato em termos de múltiplos”, afirmou.

No campo do financiamento externo, sem impacto imediato no câmbio, o Tesouro Nacional confirmou uma nova captação internacional, com o lançamento de títulos de 10 anos, com vencimento em 2036, e a reabertura do papel com vencimento em 2056. A operação deve servir de referência para emissões do setor privado no mercado internacional. Em novembro, o Tesouro havia captado US$ 2,25 bilhões em títulos sustentáveis, com demanda de aproximadamente US$ 6,7 bilhões.

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