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05 de fevereiro de 2026 - 20h10
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ECONOMIA

Dólar fecha a R$ 5,25 e real volta a se destacar entre emergentes

Moeda americana sobe 0,08% em dia de aversão ao risco lá fora, mas fluxo para a Bolsa e juros altos seguem dando suporte ao real

5 fevereiro 2026 - 19h00Antonio Perez
Dólar fecha a R$ 5,2535 nesta quinta-feira (5), em leve alta, enquanto o real volta a se destacar entre moedas emergentes apoiado por juros altos e fluxo para a Bolsa.
Dólar fecha a R$ 5,2535 nesta quinta-feira (5), em leve alta, enquanto o real volta a se destacar entre moedas emergentes apoiado por juros altos e fluxo para a Bolsa. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Após um dia de oscilações e trocas de sinal, o dólar à vista fechou esta quinta-feira (5) cotado a R$ 5,2535, em leve alta de 0,08%. Mesmo com o avanço da moeda americana no cenário internacional, o real voltou a se destacar entre as divisas de países emergentes e sofreu pouco com o ambiente externo mais turbulento.

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Lá fora, o dia foi de alta global do dólar, queda forte do petróleo, mau humor com ações de tecnologia e novos sinais de fraqueza do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Ainda assim, a moeda brasileira foi menos afetada do que seus pares, apoiada pelo fluxo estrangeiro para a Bolsa e pelo amplo diferencial entre juros internos e externos.

Ao longo da sessão, o dólar acompanhou o vaivém das expectativas globais. A cotação chegou à máxima de R$ 5,2883 no início da tarde, no momento de maior estresse no exterior, quando o índice VIX – conhecido como “índice do medo” – chegou a subir mais de 20%. A mínima do dia foi registrada no fim da manhã, a R$ 5,2353.

Para Marco Antonio Mecchi, diretor de Investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, o cenário internacional segue abrindo espaço para moedas emergentes, apesar da volatilidade. Ele cita a “volatilidade institucional” nos Estados Unidos, ligada ao vai e vem de posições do presidente Donald Trump, e a piora fiscal em países desenvolvidos como fatores que minam a força do dólar no médio prazo.

Segundo o gestor, a tendência ainda é de um dólar mais fraco no mundo, o que torna dias de alta pontual uma oportunidade para entrar em real. Ele lembra que, mesmo tendo sentido o impacto da alta do VIX e do mau humor em Nova York nesta quinta-feira, o real mostrou desempenho melhor que outras moedas emergentes.

Mecchi destaca também o chamado “carry sobre vol” favorável ao Brasil, isto é, a combinação de juros ainda elevados com uma volatilidade relativamente controlada do câmbio. Na avaliação dele, mesmo com o ciclo de cortes em andamento, a taxa Selic deve cair apenas até algo entre 12,5% e 12%, patamar ainda alto na comparação internacional.

Na visão do gestor, isso sustenta uma “tendência estrutural de apreciação do real” e abre espaço para cotações menores do dólar nos próximos meses. Ele avalia que a moeda americana pode ficar abaixo de R$ 5,10 ainda no primeiro trimestre, e afirma que o mercado, por enquanto, não tem dado muito peso a ruídos fiscais internos, como a aprovação de novos gastos no Congresso e o debate sobre indicações ao Banco Central.

No cenário externo, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes – operou em alta ao longo do dia e subia cerca de 0,20% no fim da tarde, ao redor de 97,8 pontos, após tocar máxima perto de 97,9 pontos. A libra esterlina caiu em torno de 0,80% contra o dólar, após o Banco da Inglaterra (BoE) manter a taxa básica em 3,75%, em decisão dividida. O Banco Central Europeu (BCE) também optou por não alterar seus juros.

Entre os indicadores, o relatório Jolts mostrou que a abertura de vagas de trabalho nos Estados Unidos caiu para 6,5 milhões em dezembro, bem abaixo da previsão de alta para 7,175 milhões. Os dados de dezembro ainda foram revisados para baixo, de 7,146 milhões para 6,928 milhões, reforçando a percepção de arrefecimento do mercado de trabalho americano.

Após a divulgação, o monitoramento do CME Group apontou aumento nas expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve em março: a probabilidade de redução de 25 pontos-base subiu de cerca de 10% para pouco mais de 20%, o que também influencia o comportamento do dólar frente às demais moedas.

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